Polícia

Radar móvel multa 1.405 veículos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

A fiscalização para coibir a alta velocidade nas ruas de Bauru está contando, em caráter experimental, com o auxílio do radar móvel. O objetivo é verificar se as pessoas respeitam os limites de velocidade permitidos nas vias urbanas. A assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) confirmou que vai endurecer a fiscalização para coibir os excessos. Em 24 dias de aferição com radar móvel, 1.405 veículos (ou 10,5%) foram autuados de um total de 13.329 automóveis avaliados em sete diferentes pontos da cidade.

A estratégia é tornar corriqueiro o uso do radar móvel. Para isso, falta definir se vai ser utilizado para simples aferição de velocidade ou na aplicação de multas. Segundo a assessoria, vai depender de como os motoristas vão reagir para que se defina o modelo de fiscalização.

Para a Emdurb, medidas mais drásticas se justificam pelo aumento de mortes no trânsito de Bauru. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, 11 pessoas perderam a vida no trânsito. O número corresponde à metade das mortes registradas no trânsito em 2005.

Durante a realização das operações, a Emdurb utilizou placas de advertência fixadas em ponto anterior à posição do radar. Conforme a assessoria de imprensa da empresa, não há obrigatoriedade legal para a utilização de placas de alerta aos motoristas sobre a existência de aparelho aferidor de velocidade.

Mesmo assim, alguns motoristas foram flagrados em velocidade muito superior à permitida para a via. Na quadra 46 da avenida Nações Unidas, onde o limite de velocidade é de 60 km/h, vários automóveis foram fotografados trafegando acima dos 100 km/h. Um dos motoristas chegou a alcançar a marca de 113 km/h. Em outro ponto, na quadra 13 da avenida Duque de Caxias, trecho com limite de 50 km/h, um veículo teve sua velocidade aferida em 99 km/h.

O radar móvel foi instalado durante seu período de operação nas quadras 16 (lado ímpar) e 13 (lado par) da avenida Duque de Caxias; quadras 42 (lado par) e 46 (lado ímpar) da avenida Nações Unidas; quadra 2 (lado ímpar) da avenida Elias Miguel Maluf; quadra 19 (lado par) da avenida Getúlio Vargas e na quadra 24 (lado ímpar) da avenida Castelo Branco.

A Diretoria de Sistema Viário da Emdurb realizou no mês de março uma pesquisa em 30 pontos do município, sem a presença de placas alertando para a existência de radar. Na operação, 48% dos 14.897 veículos pesquisados estavam em velocidade acima da permitida para a via. Ficou claro para os técnicos da autarquia municipal que há uma grande diferença quando se utiliza placas de advertência: apenas 10,5% foram autuados no mês de abril. Com este resultado, estaria comprovado o caráter educativo das placas de alerta.

Também nos últimos dias, foram monitoradas algumas vias da cidade em pontos indicados pelos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), com base em levantamento estatístico elaborado em março. O resultado foi novamente preocupante, pois confirmou dados da pesquisa anterior.

Sem o uso de placas de advertência, quase 52% dos veículos trafegavam em velocidade acima da permitida. Esses automóveis, no entanto, não foram fotografados, já que os dados serviram apenas para levantamento estatístico da pesquisa. Uma campanha de trânsito com ênfase ao risco do excesso de velocidade está sendo concluída com o apoio da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Polícia Militar (PM) e Consegs.

Radar fixo

O motorista bauruense já não é mais surpreendido com tanta facilidade pelas lombadas eletrônicas e radares fixos como na época da implatação da fiscalização eletrônica, em 2000 e 2001. A média de multas aplicadas por dia está em torno de 35 durante os seis anos de controle do excesso de velocidade, apontando queda de aproximadamente 40%.

Enquanto era novidade, a fiscalização aplicava entre 56 e 60 multas diárias. Com o passar dos seis anos, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) registra agora a queda gradativa da aplicação de multas. Três fatores podem ter influenciado para mudar a atitude de parte dos motoristas: o custo das infrações, o hábito de diminuir a velocidade antes dos pontos de fiscalização e o risco da perda do direito de dirigir com a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), prevista no Código Brasileiro de Trânsito.

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