1. A Bolívia, com a eleição de Evo Morales, resolve fazer o que todo país precisa enquanto nação soberana e livre: “a César o que é de César”, ou seja, o gás e o petróleo da Bolívia sempre foram da Bolívia. Promessa de campanha cumprida. O índio prova que é de palavra. Não entendi o motivo do espanto. Nós, que tanto repudiamos os atos imperialistas dos EUA, em hipótese nenhuma poderíamos agir da mesma forma. Palmas para Lula. O mundo não é somente grana e lucro. Diverti-me vendo na TV Romeu Tuma indignado porque soldados bolivianos estavam defronte uma refinaria da Petrobras. Foi preciso um outro mais sensato explicar-lhe que eles estavam ali para impedir que um povo eufórico viesse danificar aquelas instalações. Não sejamos ridículos. Bato palmas para Evo. Perdemos muito mais grana com nossa corrupção do que negociando dignidade com nossos irmãos.
2. Tanta briga por um simples jogo de futebol. Foi isso o que presenciamos na desclassificação do Corinthians perante o River. O que queriam os torcedores invadindo o campo? Trucidar os jogadores, bater nos argentinos ou esganar o juiz? E daí, resolveria alguma coisa? Cada vez mais não entendo essas coisas, pois nosso povo, sempre tão cordeiro, não reage da mesma forma com tudo o que lhe acontece no dia-a-dia, mas faz e acontece por causa de uma partida de futebol. Tanta injustiça, tanta roubalheira, tanta falcatrua, tanta desigualdade social e não movem uma palha, ficam amorfos, meio que indiferentes. Já uma pendenga entre as quatro linhas, só o sangue resolve. Tô cada vez mais descrente de que possamos mudar esse estado de coisas. (Henrique Perezzi de Aquino - RG 9.710.205-2)