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Quem dá mais?


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Os dois principais “atores” da disputa pela Presidência da República, Lula da Silva e Geraldo Alckmin, cortejam o PMDB com a maior sem-cerimônia: o PT oferecendo mundos e fundos, o PSDB não deixando por menos.

Adivinhe o leitor as prendas oferecidas por cada um deles: tantos ministérios, não-sei-quantos cargos de confiança, trocentas diretorias nas estatais, e por aí vai.

Temos então dois candidatos insossos, sendo que é grande a probabilidade de Lula ganhar, mas questão maior talvez seja a reeleição dos deputados e senadores. Alguém realmente acredita em renovação do Congresso?

Vamos à prova dos nove: nova denúncia de corrupção vem à tona; a operação Sanguessuga, desencadeada pela Polícia Federal, prendeu um punhado de gente, em sua vasta maioria ligada a parlamentares como Ney Suassuna, líder da bancada do PMBD, a noiva disputadíssima que, naturalmente, a moda Lula, dirá que não sabia de nada.

Que vergonha, uma quadrilha de assessores e ex-parlamentares roubando dinheiro com o superfaturamento de ambulâncias, com a conivência de algumas, ou muitas, prefeituras, que atestavam ter recebido as viaturas completas, com toda a parafernália de uma UTI móvel, quando só tinha maca e porta-soro.

A PF pediu a investigação de 65 parlamentares!! Por terem renunciado, os ex-deputados Ronivon Santiago (PP-AC) e “Bispo” Carlos Rodrigues (PL-RJ) foram em cana. Não é bom saber disto?

Eis o ponto: a sociedade precisa começar a negociar - no bom sentido - em pé de igualdade com o Congresso. Em certas questões, como o foro privilegiado, pelo exemplo, e da reeleição de parlamentares que renunciaram, são inegociáveis. Sem foro privilegiado, e com agravante, pois sendo servidor público, o parlamentar acusado e condenado deve ter sua pena dobrada. Quem está sendo processado ou quem renunciou ao mandato para fugir à cassação deve ficar impedido de se candidatar.

Foro privilegiado para quem roubou, neste episódio? Quantas pessoas morreram por causa destes R$ 110 milhões, que poderiam ter comprado muitas outras ambulâncias? Estes sem-vergonhas merecem foro privilegiado? Se você concorda que não, vamos pressionar pela mudança na legislação.

Senão, ficará tudo como antes, talvez pior, com Lula reeleito ou Alckmin eleito, aliados com parlamentares que não nos representam, tudo muito bem, tudo muito bom, até o próximo escândalo, que qualquer CPI cura sem maiores efeitos colaterais.

Não tem acerto, ou muda-se a legislação ou votamos nulo! (O autor, Luiz Leitão, é articulista político, e-mail: luizleitao@allsites.com.br)

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