A dificuldade para regularizar os terrenos e a possibilidade de ter que pagar a mais para conseguir terminar a obra estão espantando as pessoas de uma proposta da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) em parceria com a Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). O órgão estadual disponibilizou R$ 7,5 milhões para a construção de 500 casas na cidade, mas a burocracia para regularizar a documentação e a falta de dinheiro para custear a mão-de-obra, estão afastando o bauruense do sonho da casa própria.
A parceria entra as duas instituições habitacionais foi firmada para disponibilizar recursos para as pessoas que possuem os terrenos, mas não têm recursos para iniciar as obras. Cada família que firma o acordo do projeto Pró-Lar Crédito Habitacional/Lotes Próprios recebe R$ 15 mil para a construção de uma moradia com área construída mínima de 43,18 metros quadrados com sala, cozinha, banheiro, no mínimo dois quartos e acabamento interno e externo.
Além do lote próprio, as famílias devem ter renda mensal de um a dez salários mínimos, não fazer parte de nenhum outro financiamento habitacional, ser moradores ou trabalhar em Bauru há três anos e não ter participado de nenhum outro programa de habitação popular de baixa renda da CDHU.
O valor estipulado foi divido em três partes: material de construção, avaliado em R$ 9.419,23; custos do serviço especializado, cotado em R$ 3.400,00, e despesas cartorárias de R$ 520,00. Somam-se a esses valores R$ 1.701,73 de custos operacionais e R$ 56,53 de juros de carência. O valor total do investimento é de R$ 15.097,49. Os mutuários podem pagar o financiamento em até 240 parcelas, com taxa de juros a 1,7% ao ano, o que resulta numa parcela de R$ 84,49 ao mês.
Apesar das condições favoráveis, apenas 67 famílias procuraram a Cohab para entrar no programa no início do ano. Dessas, apenas oito conseguiram viabilizar todos os documentos e apenas uma decidiu dar continuidade ao contrato. A possibilidade de ter que pagar a mais pela mão-de-obra está assustando os interessados.
Carlos Ladeira, diretor regional da CDHU, defende o programa apontando que ele foi criado para o regime de “autoconstrução”, ou seja, a própria família pode entrar com a mão-de-obra. “Oferecemos supervisão de uma equipe de engenheiro e técnicos. Quem tem um pedreiro na família pode economizar esse dinheiro”, explica.