Teerã - Na véspera da reunião em Nova York dos ministros das Relações Exteriores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, o Parlamento iraniano enviou ontem carta ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em que ameaça aprovar moção que obrigaria o governo daquele país a se retirar do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
Caso seja cumprida, a ameaça deixaria o Irã em condição semelhante à da Coréia do Norte, que, internacionalmente isolada, empenhou-se em construir a bomba, sem a presença dissuasiva dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica.
A carta a Annan foi lida pela rádio oficial iraniana, e nela os parlamentares, todos próximos da hierarquia radical xiita, afirmam que o país “não teria outra opção”, caso o Conselho de Segurança “fracasse em sua responsabilidade crucial de resolver pacificamente as divergências”.
De modo indireto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, também ameaçou ontem retirar-se do Tratado de Não-Proliferação, do qual a AIEA, uma agência da ONU, é a guardiã e executora. Ele afirmou que um tratado internacional se torna “inválido” ao não assegurar direitos dos países que o assinaram.
A possibilidade de o Irã se retirar do TNP foi também evocada ao “New York Times” pelo porta-voz da diplomacia de Teerã. “Se o Conselho de Segurança adotar uma resolução que não reconheça os direitos do Irã, nosso país não terá razões para prosseguir cooperando com a AIEA”, disse Hamid Reza Asefi.
Os membros permanentes do CS estão divididos. O Reino Unido e a França protocolaram um projeto de resolução, apoiado pelos EUA, que obrigaria o Irã a “cumprir suas obrigações”.
O projeto de Londres e Paris não evoca sanções, que seriam objeto de um texto posterior. Exige, no entanto, que o Irã cesse a produção de combustível e recoloque suas instalações sob a supervisão de inspetores da AIEA. Mas a Rússia, de modo ruidoso, e a China, de maneira bem mais discreta, opõem-se ao que qualificam de uma radicalização prematura e contraproducente.