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Mesmo sob pressão, Tony Blair se nega a fixar data para deixar cargo

Folhapress
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Londres - O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que sofre pressão para se retirar do cargo depois do mau desempenho de seu partido nas eleições locais, se recusou ontem a fixar uma data para seu afastamento, dizendo que tal medida causaria uma “paralisação no governo”.

“Estabelecer um cronograma paralisaria o governo e colocaria em risco as mudanças necessárias para o Reino Unido, além de causar prejuízo ao país”, afirmou Blair. Blair vem sofrendo pressão para deixar o cargo depois que os trabalhistas perderam em mais de 250 conselhos municipais nas eleições locais de quinta-feira, ficando apenas na terceira posição, com 26% dos votos.

Os conservadores (que alcançaram 40% e assumiram 213 conselhos) e perto dos liberais democratas (27%, e perderam 16 conselhos). Os resultados do pleito na Inglaterra foram os piores para o Partido Trabalhista desde a chegada de Blair ao poder, em 1997, enquanto os conservadores alcançaram os melhores avanços desde 1992.

Ontem, Blair se reuniu com líderes do Partido Trabalhista na Câmara dos Comuns, onde deve sofrer nova pressão por uma data para deixar a chefia de governo. Blair afirmou que seus críticos estão “preocupados” em garantir uma transição gradual de liderança de governo, e reiterou que o ministro da Economia, Gordon Brown, continua a ser sua primeira escolha para sucedê-lo como primeiro-ministro.

“Eu já disse que a transição será feita de forma ordenada e estável. Isso é de interesse do país. mas também é de interesse que continuemos a resolver outra questões de governo”. Gabinete Para evitar mais desgastes, Blair anunciou na sexta-feira a substituição de dois ministros de seu gabinete, Jack Straw (Relações Exteriores) e Charles Clarke (Interior), substituídos por Margaret Beckett e John Reid, respectivamente.

Nas últimas duas semanas, a popularidade de Clarke vinha apresentando queda após ele ter autorizado a libertação de infratores estrangeiros (depois do cumprimento de suas penas) sem cogitar deportação.

Seu sucessor, Reid, até então era o responsável pelo Tesouro do país. Straw também deixa o cargo abatido por fortes críticas devido à participação de forças britânicas na Guerra do Iraque. Ele assumirá a liderança da Câmara dos Comuns, no lugar de Geoff Hoon, que será o responsável pela pasta de Assuntos Europeus.

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