Washington - O presidente americano, George W. Bush, nomeou ontem o general Michael Hayden para chefiar a CIA (agência de inteligência dos EUA), uma decisão que motivou críticas até mesmo por parte de parlamentares republicanos (governistas).
“Tenho hoje o prazer de nomear o general Michael Hayden para o cargo de próximo diretor da CIA”, declarou Bush no Salão Oval da Casa Branca. Hayden, 61 anos, é atualmente o braço direito do diretor da Inteligência Nacional, John Negroponte, que comanda as 16 agências, entre elas a CIA, e as 100 mil pessoas que trabalham no setor.
O general foi chamado para substituir Porter Goss, que apresentou a demissão na sexta-feira. Para justificar a escolha, o presidente destacou a experiência do general. “Mike Hayden é extremamente qualificado para este cargo”, afirmou Bush, ressaltando seus “mais de 20 anos de experiência no setor da inteligência”.
“Ele é o homem que precisamos para dirigir a CIA nesse momento crucial na história de nosso país”, acrescentou Bush, que pediu ao Senado que confirme a nomeação de Hayden. Republicanos e democratas levantaram questionamentos sobre a vantagem de se colocar um oficial militar à frente da agência civil de espionagem.
“A CIA continuará sendo, como indica seu nome, a peça central da inteligência dos EUA”, afirmou ontem Negroponte. O diplomata de carreira disse que a CIA aumentará “o número de pessoal em campo e será a provedora primordial de inteligência humana”.
Críticas
Durante o fim de semana, quando o nome de Hayden já era citado por membros do governo como o possível substituto de Goss, foram feitas críticas inclusive dentro da maioria republicana. Antes de trabalhar com Negroponte, o general Hayden dirigiu entre 1999 e 2005 a Agência para a Segurança Nacional (NSA), encarregada da inteligência eletrônica.
Neste cargo, ele supervisionou um controvertido programa de grampos extrajudiciais aplicado contra americanos em virtude da luta contra o terrorismo. Os detratores do general também não vêem com bons olhos a chegada de um militar ao comando da CIA, que reforça os temores de que o Pentágono esteja estendendo sua influência no setor da inteligência.
“Para enviar um sinal de independência em relação ao Pentágono, o general Hayden poderia ir para a reserva na Aeronáutica. Assim, ele resolveria a questão de saber se cabe ter um oficial da ativa no comando da CIA”, declarou a senadora republicana Susan Collins.
O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, o republicano Pete Hoekstra, também havia considerado anteontem que este não era o momento adequado para “um militar liderar uma agência civil”.
Hayden será encarregado de “continuar as reformas iniciadas por Porter Goss”, disse Bush. Goss não deu explicações sobre sua repentina renúncia menos de dois anos após ter assumido o cargo. Os analistas políticos em Washington destacaram os desentendimentos dele com Negroponte. “O trabalho da CIA nunca foi tão importante para a segurança do povo americano”, finalizou o Bush.