Por volta das 15h30 de ontem, Cristiano Marcondes, 22 anos, foi encontrado morto pela família numa chácara no Núcleo Edson Francisco da Silva, o Bauru 16. Ele levou um choque e caiu de um poste da rede elétrica no qual havia subido. Como ao lado do corpo foi encontrado um alicate, a polícia trabalha com a hipótese de que o rapaz tentava cortar os fios da rede elétrica quando ocorreu o acidente.
O fato aconteceu enquanto a esposa, dois filhos e um sobrinho de Marcondes aguardavam próximo à linha férrea, a poucos metros da rede elétrica. O sobrinho da vítima escutou um barulho, foi ver o que havia acontecido e encontrou o tio no chão, já sem vida.
O corpo apresentava queimaduras no braço direito e na perna esquerda. De acordo com os policiais que atenderam a ocorrência, o sobrinho de Marcondes chamou o restante da família e pediu ajuda assim que encontrou o tio no chão.
O delegado Eliseu de Freitas Costa, do 1.º Distrito Policial, esteve no local. Ele afirma que será aberto inquérito para apurar as circunstâncias da morte do rapaz, e a possibilidade de Marcondes ter recebido uma descarga elétrica ao tentar furtar os fios da rede. O corpo foi enviado ao Instituto Médico Legal (IML), que deverá esclarecer se o rapaz morreu em conseqüência da descarga elétrica ou da queda.
A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) não registrou interrupção de energia no Bauru 16, o que indica que nenhum fio da rede elétrica chegou a ser cortado, segundo Josias Ricardo de Souza, engenheiro líder de serviços de campo da empresa. De acordo com ele, as ocorrências de tentativa de furto e furto de fios elétricos na região são esporádicos, com maior incidência no município de Botucatu.
Normalmente, os furtos ocorrem porque os fios da rede elétrica, que são de cobre, representam fonte de renda. Os ferros-velhos de Bauru pagam entre R$ 6,00 e R$ 7,00 pelo quilo de cobre. No ano passado inteiro, conta Souza, foram registrados 15 casos de furto ou tentativa de furto de fios em Bauru e região.
Além de cometer crime, quem tenta retirar fios da rede elétrica corre risco de morrer, alerta o engenheiro da CPFL. “A voltagem da rede elétrica primária, que vai até o transformador, é de 13 mil Watts, que mata na hora. Na rede secundária, que é o trecho do transformador até as residências, correm 220 Watts, o que também pode matar, principalmente se o lugar estiver úmido”, orienta.
Terceiros
Quem se aventura a mexer na rede elétrica também coloca em risco outras pessoas, ressalta Souza. “Os fios cortados ficam soltos, um risco aos transeuntes. Orientamos as pessoas, ao perceberem um fio no chão, a não se aproximar e a chamar a CPFL porque o fio pode estar energizado”, frisa.
Além de prejuízo à CPFL, o furto de fios causa dano à toda população que sofre interrupção de energia elétrica. “Temos clientes, como hospitais, escolas e empresas, que não podem ficar sem energia”, completa.