O deputado federal Salvador Zimbaldi (PSB-SP) quer impedir que o filme “Código Da Vinci”, inspirado no best-seller de Dan Brown, seja exibido no Brasil. Segundo ele, “a obra é uma afronta à fé cristã”, já que coloca em xeque as histórias oficiais de Jesus Cristo e de toda a Igreja Católica. O filme tem estréia marcada para dia 19 deste mês. Para Zimbaldi - membro da Renovação Carismática Católica há 25 anos -, o caráter ficcional do livro de Dan Brown não diminui seus efeitos “perniciosos”.
“O problema é que o autor tenta dizer que descobriu uma verdade. Dan Brown é um inventor de coisas e de fatos, porque a verdade que é conhecida ao longo dos séculos é a da Bíblia Sagrada”, afirma. “Pensei em acionar o STF (Supremo Tribunal Federal), mas descobri que não seria possível. Então, entramos com uma medida cautelar na 2.ª Vara Cível do Fórum Regional de Santo Amaro (em São Paulo) contra a produtora e distribuidora Sony Pictures”.
A medida cautelar foi recusada e o advogado de Zimbaldi, Affonso Pinheiro, já apresentou apelação. O resultado deve sair hoje. Zimbaldi e seu advogado alegam que tanto o livro quanto o filme “agridem a liberdade de crença”, o que é incostitucional. Outro fator que iria contra a Constituição, segundo Zimbaldi, são “os atentados a fatos históricos que fazem parte da colonização do Brasil.”
A história do filme se concentra na tese de que Jesus Cristo se casou com Maria Madalena, com quem teve um filho e cuja descendência continuou até a atualidade, protegida por uma ordem secreta conhecida como Priorado de Sião. Por causa da possibilidade desse casamento, o grupo conservador católico Opus Dei estaria assassinando seus descendentes para proteger tal segredo.
O deputado nega que esteja tentando censurar o filme. “Não há censura neste caso, mas sim defesa da verdade. O direito de um termina onde começa o de outro”, afirma. Zimbaldi diz estar cumprindo com seu “papel de deputado, cristão e católico”. “Só estou fazendo minha parte, assim como a Opus Dei na Inglaterra está brigando judicialmente”.
Procurada pela reportagem, a produtora e distribuidora de “O Código da Vinci”, a Sony Pictures, ainda não se pronunciou sobre o caso. Por outro lado, a distribuidora já divulga que a campanha de lançamento do filme, incluindo as ações de marketing, é uma das maiores já realizadas, comparável à da estréia de “Homem-Aranha 2”. Há ações diferenciadas para canais abertos e da TV a cabo, revistas, jornais, portais da Internet, além de lojas e cinemas.
O site oficial do filme, www.ocodigodavinci.com.br, também apresenta novos clipes do longa e traz brincadeiras.