Internacional

Confrontos na Somália já mataram 120

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Mogadício - O número de mortos em um confronto entre grupos rivais em Mogadício, capital da Somália, que teve início no último domingo, subiu para mais de 120 ontem. Mais de 200 pessoas ficaram feridas e milhares de famílias fugiram de Siisii, a principal área dos combates, no norte de Mogadício, segundo o ativista local Abdulahi Mohammed Shirwa, que pedia para que os combatentes parassem a luta.

A onda de confrontos -a terceira apenas neste ano - envolve homens armados ligados a tribunais islâmicos e membros de uma aliança de “senhores da guerra”, que procura controlar a capital para tentar acabar com a anarquia vivida no país desde 1991. Muitos mortos eram civis e incluíam uma mulher grávida e três crianças que estavam em uma casa atingida por um morteiro.

Em outro local, uma testemunha relatou ter visto dois morteiros atingirem um casa, matando cinco pessoas da mesma família -incluindo duas crianças. “Siisii se transformou em uma campo de batalha. Há tantas casas sendo atingidas que os moradores estão fugindo da região. É uma catástrofe”, afirmou Siyad Mohammed, líder de uma milícia ligada aos tribunais islâmicos.

“O número de mortos ainda deve aumentar”. Ali Nur, membro da milícia dos “senhores da guerra”, afirmou que a batalha pode durar dias. “Eu gostaria de continuar lutando até que apareça um vencedor”, afirmou.

A batalha em Mogadício é travada entre grupos que defendem a lei islâmica (sharia) e um grupo integrado à Aliança - grupo criado em fevereiro passado para resistir ao poder dos tribunais islâmicos. Os dois grupos trocaram acusações sobre quem iniciou o conflito. “Os líderes da sharia terão de aceitar a responsabilidade pelas vítimas”, afirmou Nour Hassan Ali, representante da Aliança nesta área de Mogadício.

No grupo rival, o xeque Sharif Sheikh Ahmed fez um apelo aos “mercenários” da Aliança, que supostamente contam com o apoio dos Estados Unidos, para que parem com o massacre.”(Eles) vão ser condenados pelo mundo e por Deus no dia do Juízo Final”, acrescentou Ahmed. Até ontem, não houve nenhum esforço de mediação para separar os dois grupos, e os conselhos de anciãos, que costumam intervir nessas batalhas, parecem estar cansados de serem mediadores entre grupos que não cumprem com sua palavra.

“Gastamos tempo e dinheiro para convencê-los a aceitarem as negociações, mas eles se fazem de surdos e não nos ouvem”, disse Haji Abdulkader Somow, um representante do conselho de anciãos local. “Fazemos um apelo à ONU para que intervenha”, acrescentou Somow. Desde que o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado, em 1991, a Somália vive em meio a confrontos entre os diversos “senhores da guerra”, e sem um governo central.

Comentários

Comentários