Vizinhos de distritos policiais e bases comunitárias passaram a conviver, desde de sábado, com uma preocupação comum, por exemplo, aos moradores dos morros cariocas: a bala perdida. “Tenho medo”, confessa Aparecido Rosa, 71 anos, que mora em frente ao 4.º Distrito Policial. Ele conta não ter ouvido os disparos feitos contra a delegacia, na madrugada de sábado.
O tráfego suspeito de motocicletas em ruas próximas ao distrito, notado pelos próprios policiais na madrugada de ontem, deixou o clima ainda mais tenso na região. “À noite a gente acorda com medo. Quando amanhece, é um alívio. Fico preocupada com eles (os policiais)”, conta Neide Carvalho de Sena Barbosa, que mora em frente à Base Comunitária Sudeste.
Ela teme que um dos policiais, já considerados “amigos de casa”, também sejam alvo dos ataques. O receio é ainda pior para a família dos PMs. Um deles contou ter recebido mais de dez ligações da esposa, no último domingo. “A gente também fica apreensivo pela segurança deles. É duro morar num bairro que todo mundo nos conhece”, comenta o policial. Ele pediu para ter o nome preservado.
Dívidas
A polícia não descarta a hipótese dos atentados terem sido praticados por homens em dívida com o PCC e que cumprem pena no regime semi-aberto. Para evitar represálias, parte deles teria obedecido às determinações estaduais da facção criminosa nos dias de saída temporária. O benefício foi concedido a alguns reeducandos em função do Dia das Mães.
Até a tarde de ontem, nove pessoas haviam sido detidas, ouvidas e liberadas pela polícia. “Tem um que, se pegarmos, vamos pedir a (prisão) temporária (por cinco dias, renovável por mais cinco)”, comenta o delegado seccional Donizeti José Pinezi. O rapaz estaria envolvido com os disparos de arma de fogo praticados contra as delegacias de Bauru.
É provável que os atentados tenham sido praticados na madrugada de sábado em Bauru com um revólver calibre 38. Na Vara de Execuções Criminais de Bauru é possível que também tenham utilizado uma pistola calibre 380.
A informação não foi confirmada pela Polícia Científica. O laudo da perícia realizada nos locais atingidos deve ser concluído no final desta semana.