Como é que podemos comemorar o dia das mães enquanto cento e cinqüenta bases da polícia são metralhadas por aí? Como é que se pode sorrir num dia como este, enquanto cinqüenta mães perdem seus filhos estupidamente? Ainda não sou mãe, mas ao menos posso imaginar o sofrimento dessas queridas mulheres... O que ainda não consigo imaginar é como ficaremos daqui pra frente? Se as pessoas responsáveis pela nossa segurança são desrespeitosamente atacadas, o que será de nós, pobres mortais? Pior do que isso, só ouvir do nosso governador de Estado falar com certa arrogância que “ não precisamos da ajuda da polícia Federal pois a situação aqui em São Paulo está controlada”.
Como assim, será que ouvi bem? Controlada? Com quarenta e quatro rebeliões pelo interior? Será que estamos falando da mesma situação? Controlados estamos nós, dominados por um poder que não é mais paralelo, mas extremamente centralizado e ainda muitíssimo organizado. Somos nós quem estamos enjaulados, aterrorizados com tanta barbárie. Nós somos os prisioneiros. Estou vendo o dia em que teremos que pedir permissão para sair de nossas casas e ainda, teremos que reivindicar nosso direito de sair para visitar nossas mães como fazem nos presídios em datas comemorativas. Ora, Sr. governador, com todo respeito que lhe devo, não me venha com discursos políticos, enquanto bombeiros, que salvam vidas o dia todo, estão sendo assassinados com 15 tiros de fuzil. Enquanto marginais reivindicam a troca dos seus uniformes amarelos. Basta de tanta hipocrisia. Aonde vamos parar? Se não for tomada alguma providência drástica e definitiva, temo pela vida dos meus filhos que ainda virão. Estamos no limite. A população não tolera mais tanta irresponsabilidade dos nossos deputados. Primeiramente, devemos mudar as leis. Torná-las mais severas e eficazes e não procrastinatórias e assim coibiremos o problema que já está instalado. E mais, investir tudo o que se pode em educação, como profilaxia. Talvez assim, meus filhos tenham um pouco de paz. Mesmo não sendo mãe agora entendo o que é padecer no paraíso.
Cássia C. Bosqui Salmen - OAB/SP 229.401