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Bush quer Guarda Nacional na fronteira

Folhapress
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Washington - Em uma tentativa de obter apoio da ala conservadora para a aprovação de sua lei de imigração, o presidente George W. Bush decidiu enviar cerca de 6 mil membros da Guarda Nacional para reforçar o controle da fronteira entre os EUA e o México. O anúncio foi feito na noite de ontem, em discurso transmitido do Salão Oval.

“Ainda não temos o controle total da fronteira, e estou determinado a mudar isso”, disse Bush, antecipando o discurso. “Nesta noite, pedirei ao Congresso que dê financiamento para uma melhora drástica na presença policial e na tecnologia na fronteira.”

De acordo com Tony Snow, porta-voz da Casa Branca, o esforço deve empregar apenas “uma pequena porcentagem da Guarda”, que conta com cerca de 400 mil membros em todo o país, enquanto novos recursos são assegurados para a Patrulha da Fronteira.

Apesar de contar com o apoio de parte dos republicanos, a iniciativa levantou preocupações de republicanos e da oposição democrata, que alegam que a Guarda Nacional, composta por civis, já está comprometida com Iraque e Afeganistão e deve estar de prontidão para situações de emergência.

Atualmente, há 300 homens atuando na fronteira. O senador republicano Jeff Sessions, defensor de uma política linha-dura contra a imigração ilegal, disse que a proposta de Bush pode aliviar a pressão dos opositores de um projeto de lei, em debate no Senado, que propõe a criação de vistos de trabalho temporários para estrangeiros.

Já o grupo voluntário de patrulha fronteiriça Minuteman qualificou o plano de “nada mais do que uma manobra política”. “É mais uma questão de oportunidade política”, disse Snow.

O anúncio ocorre duas semanas depois que milhões de imigrantes fizeram manifestações em todo os EUA em apoio à lei de imigração. Pela proposta de Bush, os 12 mil agentes da Patrulha da Fronteira, que também são civis, manteriam a responsabilidade principal pela proteção da área fronteiriça.

Os membros da Guarda Nacional seriam empregados temporariamente e não realizariam tarefas auxiliares em áreas como construção, transporte, logística e treinamento.

O presidente do México, Vicente Fox, telefonou para Bush ontem para expressar sua preocupação com o que chamou de uma “militarização” da fronteira entre os dois países. Snow disse que Bush assegurou a Fox que não há “nenhuma tentativa de militarizar a fronteira”.

Segundo o governo mexicano, Bush disse ainda que o reforço policial seria apenas administrativo e logístico e viria da Guarda Nacional, e não do Exército. O porta-voz de Fox, Rubén Aguilar, disse ainda que o México não pretende adotar nenhuma medida extraordinária em reação à proposta americana. “É uma decisão soberana, não podemos interferir”, disse.

Cerca de 6,2 milhões de mexicanos entram ilegalmente nos EUA atravessando a fronteira. Nesta semana, o Senado americano volta a discutir a lei de imigração. Além dos vistos temporários para trabalhadores, a lei inclui ainda a criação de um mecanismo para que os cerca de 11,5 milhões de imigrantes ilegais no país regularizem sua situação. O apoio de Bush a esse dispositivo tem lhe custado o apoio da ala mais conservadora do Congresso, que interpreta a medida como uma espécie de anistia a imigrantes ilegais. Já uma proposta aprovada em dezembro do ano passado na Câmara dos Representantes (deputados) transforma a imigração ilegal em crime e prevê a construção de um muro em parte da fronteira mexicana.

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