Washington - O governo dos Estados Unidos decidiram impor sanções contra a Venezuela ontem, banindo toda a venda de armas para o país de Hugo Chávez - um dos maiores exportadores de petróleo para os EUA. De acordo com o comunicado do Departamento de Estado, a interrupção de venda de armas à Venezuela faz parte da guerra dos EUA contra o terrorismo.
O anúncio torna ainda mais difícil a já desgastada relação entre os dois países, que se deterioram depois da tentativa de golpe sofrida por Chávez em abril de 2002. O líder venezuelano acusa os EUA de terem orquestrado o golpe.
Em fevereiro último, Chávez e Bush retiraram seus embaixadores de Caracas e Washington, mas a relação foi normalizada posteriormente. Em seguida, a secretária de Estados dos EUA, Condoleezza Rice, chegou a incitar a formação de uma “frente unida” contra Chávez, a quem qualificou de “um desafio para a democracia” e um “perigo” para a região devido a seus vínculos com o regime cubano, do presidente Fidel Castro.
Os EUA se preocupam com a relação amistosa de Chávez com Cuba e Irã, dois países acusados pelo governo americano de “patrocinar” o terrorismo. Os EUA também dizem que Chávez falha na tentativa de controlar guerrilhas de esquerda, como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que usam o território venezuelano para suas ações, segundo o comunicado do Departamento de Defesa.
Chavez x Bush
Recebido como herói da esquerda mundial pelo prefeito de Londres, Ken Livingstone, Chávez, exercitou ontem na Capital britânica o seu papel preferido, de inimigo do império e mártir dos injustiçados. Como de hábito, sobrou para o presidente americano, George W. Bush. Mas sobrou também para os jornalistas que tentaram questionar o convidado.
Numa entrevista coletiva na sede da Prefeitura londrina, um prédio futurista à beira do rio Tâmisa, um Chávez às vezes desafiador e noutras cômico deu uma espécie de show para inglês ver. O estilo ficou evidente já na primeira resposta.
O representante da rede americana CNN quis saber se a ausência de um encontro com Tony Blair na visita fora decisão do primeiro-ministro, de quem o venezuelano se afastou nos últimos anos, ou do próprio Chávez. Embora o repórter tenha se apresentado claramente antes de falar, Chávez fez questão de perguntar-lhe de novo de que meio era, uma evidente provocação à gigante rede de TV americana. Aí chamou a pergunta de “boba” e “estúpida”.
Em seguida, uma jornalista da rede britânica BBC em espanhol questionou Chávez sobre comparações que a imprensa faz dele com Bush, em relação à atitude “ou está comigo ou é contra mim’’ de ambos. “É a primeira vez que me ofendem assim em público”, disparou o presidente. “(Bush é) um assassino, um imoral, que deveria ser levado à prisão por uma corte penal internacional. Invadi algum país, bombardeamos alguma cidade, utilizamos a CIA para matar presidentes?”
Livingstone - que ontem escreveu um artigo no diário “The Guardian” no qual afirma que “o progresso social e a democracia andam de mãos dadas na Venezuela e merecem apoio inequívoco” - sorria a cada resposta do convidado.
Foram poucas questões, com os perguntadores escolhidos pelo próprio Livingstone. Chávez não falou da crise Brasil/Bolívia, mas ofereceu as vastas reservas de petróleo e gás da Venezuela aos pobres de todo o mundo. E, à maneira do que já faz com os EUA, ofereceu aos britânicos de baixa renda fornecimento de óleo para calefação a preços reduzidos, sem explicar como isso seria viabilizado.