Pequim - O governo chinês afirmou ontem que o Irã deve aceitar ou então tomar como base de negociações a proposta que vem sendo elaborada pela União Européia, que prevê o fornecimento de tecnologia nuclear, em troca da interrupção do programa de enriquecimento de urânio.
“A China aprova a importante posição européia de se esforçar para resolver a questão nuclear iraniana por meio de negociações pacíficas”, disse Liu Jianchao, porta-voz da diplomacia chinesa. Mas o Irã, a exemplo do que já fizera na véspera, quando o plano foi tornado público, reiterou ser “definitiva e irreversível” sua decisão de produzir combustível nuclear, segundo Hamid Reza Asefi, porta-voz do ministro das Relações Exteriores.
Ao reagir à proposta em discussão, Pequim operou uma inflexão em seu posicionamento, que até agora consistia em apenas se opor à adoção de sanções no Conselho de Segurança, mas sem tomar por base uma alternativa que Teerã poderia negociar. O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, que esteveonteme em Pequim, também afirmou, depois de se encontrar com seu colega chinês, Li Zhaoxing, que nas negociações estava a chave do problema.
“Não devemos nem isolar e nem pressionar o Irã”, afirmou. Disse também que seu país e a China não apoiariam uma resolução na ONU que seja pretexto para soluções de força. Lavrov disse que seu governo continuava preocupado com o fato de o Irã não ter respondido integralmente à interpelação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre detalhes técnicos de seu programa nuclear. Aquela agência da ONU, depois de investigações de três anos, afirmou não estar em condições de dizer se o Irã tem apenas intenções pacíficas, mas não tem provas de que as pesquisas se destinam em parte à produção de uma bomba atômica.
Teerã reitera que pretende apenas produzir eletricidade com seus reatores e que obter combustível nuclear não é vetado pelo Tratado de Não-Proliferação. Os Estados Unidos, que estimularam a elaboração da proposta européia, acreditam que o Irã deva seguir o exemplo da Líbia, que abandonou seu programa nuclear militar para se reintegrar à comunidade internacional.
“Mas os iranianos são obcecados pela dignidade, e convidá-los a seguir o exemplo líbio seria o mesmo que esbofeteá-los”, disse Rosemary Hollis, cientista política britânica. O plano europeu prevê o fornecimento de um reator de água leve e urânio enriquecido, menos passível de desvio para atividades militares.
Os europeus também pretendem desengavetar o plano pelo qual cientistas iranianos poderiam enriquecer urânio, mas em território russo. A Rússia é a fornecedora do primeiro reator que o Irã deve em breve ativar.