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Polícia matou 107 suspeitos dos ataques

Folhapress
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São Paulo - Desde o início dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), na sexta-feira passada, 107 suspeitos foram mortos por policiais. No mesmo período, outros 124 foram presos. Somente entre a quarta-feira e ontem, as mortes causadas por policiais subiram de 93 para 107, ou seja, em apenas 24 horas, houve um aumento de 15% na letalidade das ações policiais. Enquanto isso, as prisões de suspeitos cresceram apenas 1,6%.

Desde quarta-feira, nenhum agente de segurança do Estado (policiais civis, militares ou agentes penitenciários) foi assassinado na guerra com o PCC. É o maior período, desde o início dos confrontos com a facção criminosa, sem baixas nas corporações. Até a noite de ontem, os mortos das forças de segurança somavam 41 vítimas (23 PMs, sete policiais civis, três guardas municipais e oito agentes penitenciários), além de quatro cidadãos. Somando-se representantes do Estado, cidadãos e acusados de ligação com a facção, os mortos já são 152, considerando-se apenas os dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública.

A cada um dos sete dias de onda de violência, a média de mortes ligadas aos confrontos é de 21,71. Dentro de presídios ou cadeias públicas do Estado, os mortos foram 17 durante as rebeliões dos últimos dias. Com isso, a média diária de mortos sobe mais: 24,14, para um total de 169 mortos. No primeiro trimestre deste ano, as polícias Civil (12) e Militar (105) mataram 117 pessoas no Estado, o que dá uma média de 1,3 pessoas mortas por dia em “confrontos”.

A média de mortes cometidas por policiais em janeiro, fevereiro e março é de 39 pessoas em todos os municípios paulistas. Nos dias de guerra ao PCC, essa média diária subiu para 15,28 vítimas de ações da polícia. A Segurança Pública revela que, nos três primeiros meses deste ano, 1.622 foram vítimas de homicídio doloso (com intenção), o que dá uma média diária - em um período de 24 horas - de 18 assassinatos por dia.

Lista negada

Desde domingo, a reportagem solicita oficialmente à Secretaria da Segurança Pública uma lista com a relação completa (nome, idade, ficha de antecedentes criminais etc) dos mortos nos confrontos com as forças de segurança do Estado.

A explicação oficial, segundo os assessores diretos do secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, passou a ser a de que a divulgação das identidades dos mortos poderia atrapalhar na elucidação dos ataques cometidos supostamente por pessoas ligadas ao PCC nos últimos sete dias.

Para os órgãos de inteligência das polícias, revelar quem morreu pode ser uma dica para que comparsas que escaparam com vida dos chamados "embates com o PCC" - que é como as autoridades têm tratado os prováveis tiroteios com policiais- escapem.

Mortos nos “embates”

A Polícia Militar (PM) matou no final da noite de anteontem dois homens em uma suposta troca de tiros no bairro do Ipiranga (zona sul de São Paulo). Segundo a PM, eles iriam atacar o 95.º DP (Heliópolis). Na apresentação do caso, no 17.º DP (Ipiranga), os policiais mostraram um armamento pesado, incluindo granadas. Por volta das 23h30, os PMs receberam a informação de que um grupo de homens da favela do Pilão, no Ipiranga, iria atacar a delegacia. Ao chegar ao local, a Força Tática (espécie de tropa de elite) do 3.º Batalhão afirmou que foi recebida a tiros e revidou. Dois homens foram alvejados e mortos pelos policiais em um beco. Os dois suspeitos não foram identificados. Um terceiro homem também foi encontrado morto, mas a PM afirmou não ser possível saber se ele foi atingido pela polícia ou outros criminosos. Em Guarulhos (Grande São Paulo), policiais militares mataram outras três pessoas.

Em Osasco, também na região metropolitana, outro suspeito foi morto acusado de tentar invadir uma companhia da PM.

Dia de ataques

Mais ônibus incendiados, atentados a tiros e mortes no sétimo dia de violência no Estado de São Paulo. Dois homens ficaram feridos após a explosão de uma bomba no colo de um deles, na garupa de uma moto, em Valinhos (85 km de SP). Eles atirariam o explosivo contra a 1.ª DP, segundo a Polícia Civil. Em São Sebastião (Litoral norte), quatro homens encapuzados invadiram a Santa Casa e assassinaram um dos pacientes com tiros no pescoço. A vítima havia sido baleada na segunda-feira.

Também no Litoral, três quiosques foram incendiados na praia do Gonzaguinha, em São Vicente. No Guarujá, após o incêndio de seis ônibus e prejuízo de R$ 1 milhão, a empresa que administra o transporte coletivo recolheu os ônibus a partir das 19h. Com um coquetel molotov, dois homens em uma bicicleta incendiaram um ônibus vazio em Campinas. Em Guaratinguetá e em Mauá dois ônibus foram incendiados.

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