Regional

Presos destroem cadeia de Botucatu

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Uma semana depois da maior onda de rebeliões já registrada no Estado de São Paulo, os presos da cadeia de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) decidiram se manifestar. Por sete horas, eles mantiveram um carcereiro refém. Para libertá-lo, os rebelados exigiam a transferência de dez presos.

O pedido foi aceito após uma tarde inteira de negociações. Por volta das 18h15, os primeiros presos começaram a ser transferidos. Entre os beneficiados estão um preso condenado, que foi levado para uma penitenciária, e nove provisórios, que seriam transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP). O destino deles não foi revelado.

Ontem à noite, a cadeia de Botucatu passava por uma vistoria. A previsão era de interdição do local por falta de segurança. Segundo informações da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), as celas foram destruídas. Desde 1975, quando foi construída, a cadeia já passou por pelo menos três reformas forçadas por causa de rebeliões.

Com capacidade para 60 presos, o local abrigava até ontem cerca de 220. Na semana passada, apesar das rebeliões em série desencadeadas em todo o Estado, em Botucatu o clima era de tranqüilidade. A visita da última terça-feira transcorreu normalmente.

O tumulto de ontem começou por volta das 11h30, segundo informou a polícia da cidade. Dois carcereiros foram rendidos, mas apenas um foi mantido refém. As armas que estavam com eles, um revólver calibre 38 e uma espingarda calibre 12, foram tomadas pelos presos.

Houve troca de tiros com os policiais e o delegado Celso Olindo foi ferido no braço. “Quando trocamos tiros, houve um estilhaço da minha espingarda que atingiu meu braço, mas houve apenas a necessidade de um pequeno curativo. Está tudo bem”, disse o delegado ao site de notícias entrelinhas com, assim que retornou do Pronto-Socorro.

Vizinhos da cadeia disseram que pelo menos três presos fugiram no início da rebelião. Informações desencontradas deram conta de que os fugitivos seriam cinco. A SAP não confirma nenhuma das informações. O anúncio oficial só seria feito após a recontagem dos presos.

Logo após o início da rebelião, as ruas ao redor da cadeia foram cercadas por policiais civis e militares. Antes de suspender o protesto, os presos solicitaram a presença de um promotor, de um advogado e do diretor da cadeia, Luiz Marcelo Perpétuo Sampaio.

Além do local estar superlotado, os detentos queriam as transferências por uma questão econômica. Segundo eles, algumas famílias estariam gastando muito dinheiro para ir até Botucatu visitar parentes presos. Embora a SAP não tenha divulgado os locais para onde os detentos foram transferidos, algumas informações extra-oficiais apontam Itapetininga, Iperó, Bauru e São Paulo como os destinos mais prováveis.

O carcereiro foi liberado sem nenhum ferimento físico aparente. Ele foi conduzido até o hospital da cidade e liberado em seguida. De acordo com a secretaria, o encaminhamento dos reféns ao hospital mais próximo é um procedimento de praxe.

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