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Prestadores de serviço viram depósitos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

As desculpas passam pela falta de dinheiro, esquecimento ou desinteresse. Dignas ou “esfarrapadas”, transformam em depósitos os prestadores de serviços que se esforçam para guardar objetos abandonados pelos clientes por meses e anos a fio.

Numa lavanderia de Bauru, por exemplo, cerca de 50 peças – entre roupas, edredons e tapetes – deixaram de ser retiradas. Algumas aguardam o proprietário por quatro anos. “A gente não se desfaz por respeito ao cliente. Ligamos, eles dizem que vêm buscar, trocamos a embalagem e não vêm. Acho que tem gente com muito dinheiro e não faz falta”, comenta a chefe do estabelecimento, Valdira dos Santos.

As razões do abandono se limitam às especulações. Certo mesmo é que todos os clientes são informados para retirar a mercadoria em até 30 dias. Caso contrário, ela pode ser vendida num eventual bazar da pechincha, que nunca saiu do papel.

“É para cobrir o prejuízo. Somos uma empresa e temos custo. Deixamos de fazer (outras peças) para fazer a dela”, comenta Vera Zukieri, proprietária de um ateliê de costura. Ela comenta sobre uma cliente que estabeleceu data específica para retirar uma roupa, mas nunca foi buscá-la. “Tem colega minha que dá tudo para a família. É desaforo e ainda ocupa espaço”, critica.

Transtorno

A situação é ainda pior para Paula Renata Carazzatto, proprietária de uma farmácia de manipulação. Ela acondiciona os produtos não retirados em ambiente com controle de temperatura. “Tem bastante (cliente esquecido) em todas as farmácias. Fora daqui (Bauru) também. É um problema porque são fórmulas específicas”, diz.

Paula explica que, normalmente, os clientes esquecem cosméticos como rejuvenescedores, filtros e clareadores. “A gente não reaproveita e se está pago, é dele”, comenta. Já aconteceu dela procurar o cliente várias vezes, do prazo de validade do produto vencer e, após a instalação de uma tarja de alerta, enviar a mercadoria a seu proprietário.

“É exceção, mas aconteceu mais de uma vez. Eu também tinha caixas e caixas de receitas. Cheguei a mandar para o consultório (de médicos)”, acrescenta. Para Paula, os custos são ainda mais altos porque o descarte dos produtos obedece lei da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deve ser incinerado. O serviço, não ofertado em Bauru, é cobrado por quilo.

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