Brasília - Se depender do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e da base aliada do governo, a “CPI do Sanguessuga” não deve ser instalada.
A comissão tem como objetivo investigar o desvio de recursos do Orçamento da União por meio da compra superfaturada de ambulâncias. Parlamentares são acusados de participarem do esquema o que torna o assunto delicado demais para ser tratado em ano eleitoral por uma comissão.
Renan chega ao Brasil ontem à noite, depois de passar os três últimos dias em Nova York cumprindo agenda oficial. Entre os parlamentares que acompanharam Renan na viagem está o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), que teve um assessor preso pela “Operação Sannguessuga” deflagrada pela Polícia Federal (PF), que desvendeu o esquema de desvio de recursos do Orçamento. Suassuna não assinou o requerimento da CPI alegando que ela seria politizada.
Para que a CPI não se viabilize, são três os caminhos: Renan considerar que ela é inconstitucional; os parlamentares que assinaram o requerimento de criação retirarem o apoio; ou, caso seja instalada, os líderes não indicarem os membros para que ela funcione.
A primeira hipótese vem sendo considerada a mais difícil de colocar em prática, já que o requerimento atende às exigências constitucionais de ter um fato determinado. Segundo parlamentares ouvidos pela reportagem, o mais provável é que os parlamentares retirem seus nomes do requerimento. As justificativas oficiais são que não há mais tempo nesta legislatura - que se encerra em dezembro- para uma nova CPI e que a PF e o Ministério Público já estão investigando a denúncia.
Nos bastidores, a razão é outra. São muitos os parlamentares envolvidos, pode chegar a 53% da Câmara, e a maioria da base aliada do governo, o que traria ainda mais prejuízos para a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.