Somente junto à subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a precariedade da saúde pública municipal resultou em 50 queixas. Hoje, elas serão apresentadas e discutidas em evento promovido pela comissão de Direitos Humanos da entidade.
O objetivo do debate é garantir voz à população, conclamada a sugerir alternativas para a resolução de problemas que prejudicam o atendimento de urgência e emergência na cidade.
“A gente convida a sociedade a fazer perguntas e dar sugestões. Pode ser um ponto de partida para esclarecer a situação e traçar estratégias. Não vamos resolver tudo numa reunião, mas a idéia é chegar a um denominador comum”, informa o coordenador da comissão, Gilberto Truíjo.
De acordo com ele, as reclamações começaram a chegar especialmente a partir de julho do ano passado, quando a administração municipal suspendeu o atendimento nos prontos-socorros (PSs) Mary Dota e Ipiranga por falta de médicos. As duas unidades passaram a integrar a rede básica de saúde, com atendimento médico mediante agendamento.
Reclamações
Desde então, os casos de urgência e emergência passaram a ser encaminhados aos prontos-socorros Bela Vista e Central (adulto e infantil). A medida causou insatisfação à população, que também reclama da demora no atendimento e insuficiência de funcionários. Uma outra queixa tem relação com a dificuldade na triagem de pacientes, explica Rubin Slobodticov, membro da comissão.
Segundo o colega dele, Diogo Pinheiro Henrique de Oliveira, vários pontos de vista entremeam a saúde pública. Eles partem não só dos pacientes, mas de funcionários, médicos e poder público, por exemplo. No entanto, neste momento, a assistência prestada aos usuários será priorizada, explica.
Para tanto, participará do debate o secretário municipal da Saúde, Mário Ramos, que representará o prefeito Tuga Angerami (sem partido). Também foram convidados o diretor do Departamento de Urgência e Emergência, José Roberto Berber, representantes da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e do Hospital Estadual, além dos promotores Lucas Pimentel de Oliveira e Fernando Masseli Helene.
• Serviço
Aberto a todos os interessados, o debate será realizado hoje, às 19h, na Casa do Advogado - situada na avenida Nações Unidas, 30-30.
____________________
Reivindicação
A Comissão de Direitos Humanos da OAB também quer participar das reuniões promovidas pelo Ministério Público, desde o ano passado, para discutir saídas às debilidades da saúde municipal. O pedido será feito hoje ao promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, idealizador dos encontros que já resultaram em avanços.
Interessados em contribuir para a resolução do problema, advogados ligados à comissão já se revezam para participar do Conselho Municipal de Saúde, confirma a advogada Cristiane Ayashi Barreta. Mais uma vez, o objetivo é encontrar um meio para “tirar o gesso” do sistema, de maneira que ele possa se adaptar às necessidades atuais dos usuários, acrescenta Daniel Lourenço Dias.
“Convidamos vereadores e o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). Queremos uma participação ativa com relação à saúde. Neste momento, temos que deixar de lado as siglas partidárias em benefício da população”, conclui o coordenador da comissão, Gilberto Truíjo.