De um projeto musical à universalidade do público, da individualidade de cada espectador ao universo do circo e de seu rei, o palhaço. É assim “O Teatro Mágico: Entrada para Raros”, espetáculo multiartístico que o Serviço Social do Comércio (Sesc) recebe hoje, às 21h, no ginásio de eventos.
O material de divulgação define “O Teatro Mágico” como um projeto musical que reúne elementos de circo, teatro, poesia, literatura e cancioneiro popular, contemplando diferentes segmentos artísticos num mesmo espetáculo. O “poeta-ouvidor-desenhista-músico-malabarista-comediante-o-que-for” Fernando Anitelli, criador desse universo, usa outras palavras. “Somos uma trupe que mistura banda de rock e música brasileira com circo, teatro e poesia. O que fazemos é baseado nos saraus, no teatro de rua, nas manifestações populares, na ciranda, tudo misturado em um espetáculo de duas horas”, destaca.
Nesse contexto, as canções e as performances tratam do cotidiano urbano com brasilidade e ritmo, com a idéia principal de que uma unidade e o diálogo é possível. “Todo mundo é um pedacinho do outro/ Todo outro é um pedacinho do mundo”, diz uma das canções.
De acordo com Anitelli, o projeto surgiu na gravação de um CD, em 2003, quando ele convidou 30 amigos – “de diferentes musicalidades”, ele frisa - para as sessões, incluindo nomes conhecidos do público, como os pernambucanos do Cordel do Fogo Encantado, a percussionista Simone Soul (Funk Como Le Gusta) e a cantora Nô Stopa. A idéia veio do livro “O Lobo da Estepe”, do alemão Hermann Hesse.
“Há um personagem que encontra outros personagens dentro dele mesmo. Em um momento, ele se depara com essa placa: ‘Entrada para Raros’. O raro não é a idéia de exclusão, (o espetáculo) não é para alguns, é para todos porque todos somos raros, só tem um de cada um. Queria honrar esse momento de todos juntos e encontrar o ponto comum entre o palco e a platéia nesse espetáculo, com a banda tocando, as intervenções, a poesia”, observa.
Para o autor e diretor, o CD foi montado como se fosse uma peça e a passagem para o palco foi mais do que natural. Além da música, “O Teatro Mágico” ganhou dança, malabarismo, perna-de-pau, trapézio, tecido, lira e todos os truques que recheiam o rico universo do circo e das festas populares. Anitelli explica que a escolha do clown ou palhaço como representante do projeto foi a mais óbvia.
“O lema é que os opostos se distraem e os dispostos se atraem. O personagem que poderia traduzir a disposição das pessoas em trabalhar pela arte, de resgatar a cultura brasileira, a festa popular, tudo com crítica e alegria, era o palhaço. O circo tem conotação de família, de que tudo é uma coisa só”, observa.
Em Bauru, a trupe contará com Fernando Anitelli (voz e violão), Carlos Trevisan (guitarra e violão de aço), Willians Marques (percussão), Charles Novaes (baixo), Edu Diux (bateria), Luiz Galdino (violino), DJ HP (samples, efeitos e bases), Daniela Homsi (flauta, dança e malabares), Rober Tosta (trapézio e perna-de-pau) e Gabi Veiga (tecido e lira). “O Teatro Mágico” tem sonoplastia de Louis Holden, cenário e figurino de Ane Raquel Riera e iluminação de Eduardo Takayama e Fábio Cortezi.
• Serviço
Sesc apresenta “Teatro Mágico” hoje às 21h no ginásio de eventos. Ingressos a R$6,00 e R$3,00 (matriculados, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos). Recomendado para maiores de 14 anos; menores devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis. O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações pelo telefone (14) 3235-1751.