Em 64 ou 65, moleque ainda, fui com meu pai e Julião, ex-goleiro do Noroeste, pescar no rio Batalha, em uma propriedade rural de amigos do Julião. Se a memória não falha, o nome deste pessoal era Sidraque. Uma chuva danada nos deixou ilhados no sítio e o pessoal, humilde e amigo, providenciou uma refeição para os três aprendizes de pirangueiro.
Arroz, feijão, salada e lambari frito. Comida na mesa, Julião pergunta:
- Dona Maria, não tem uma farinha aí?
- Não tem não, seo Julião... a chuva não deixou a gente ir na venda... Julião coçou a cabeça, pensou, levantou e foi até suas tralhas de pesca, onde pegou um saquinho que continha minhocas que seriam usadas para isca e farinha de milho. Não teve dúvidas, esparramou tudo e foi jogando as minhocas fora, preservando a farinha de milho. Terminada a separação, juntou a farinha e perguntou:
- Vocês querem farinha?
- Não... obrigado!
- Minhoca é limpa e não consigo comer feijão sem farinha! Dão licença!
Contada por Antonio Pedroso Júnior