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Sem-terra retornam ao horto

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Confiantes, as 108 famílias sem-terra do Grupo Terra Nossa retornaram na manhã de ontem ao Horto Florestal Aimorés, na divisa entre Bauru e Pederneiras, de onde tinham sido retiradas entre quinta e sexta-feira pela Polícia Militar em cumprimento a ordem judicial para reintegração de posse. As famílias acreditam que já na próxima semana, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai desapropriar a área - que é reclamada por dois empresários - e depois utilizá-la para reforma agrária.

Na noite de anteontem, após saber que as liminares de reintegração de posse estavam suspensas, muitos já tinham retornado aos seus barracos. O restante, começou a mudança de volta na manhã de ontem. Aos poucos, as famílias que estavam acampadas na beira de estrada de acesso á área voltavam para os seus antigos lotes. O único momento de maior tensão foi logo às 8h30, quando um dos empresários que afirma ser dono de parte da área ocupada pelos sem-terra alegou ter sido impedido de entrar em sua propriedade.

Por conta disso, registrou um boletim de ocorrência no Plantão Policial. Algumas viaturas da PM circularam na área, mas logo retornaram. “Mantivemos uma postura de diálogo. Ele que queria passar com tratores em cima das plantações. Olha, prefiro que passem em cima do barraco, mas não na roça”, frisa Klinger Bueno, que passou à noite com a família na beira da estrada de terra.

Enquanto as famílias arrumavam os pertences de volta dentro dos barracos, Ivan Francisco reconstruía o seu abrigo desde às 4h. “A vitória foi grande. O Incra vai tomar posse e colocar uma placa determinando que é propriedade dele”, diz. No local, já construiu um poço com mais de três metros de profundidade e vai morar com a mãe e os irmãos. “Dividimos a propriedade e sorteamos os lotes. Agora, vou ter que começar de novo. Mas recomeço quantas vezes for preciso”, garante.

Desocupação

A desocupação do horto começou na quinta-feira, quando os policiais chegaram para cumprir uma liminar de reintegração de posse. Após tumulto causado pela queimada de quatro barracos e a realização de uma passeata em Pederneiras, na tarde de anteontem os sem-terra receberam o comunicado que poderiam permanecer no local.

Uma das liminares de reintegração de posse foi suspensa pelo Tribunal de Justiça (TJ). A segunda foi suspensa, temporariamente, pela juíza da 1.ª Vara Cível de Pederneiras, Ana Carolina Achôa Aguiar Siqueira de Oliveira porque um outro processo anterior já estava sendo julgado pelo juiz da 2.ª Vara da mesma cidade, Arari Teixeira Leme.

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