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Pressão dos pais dificulta a escolha

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

O coordenador de vestibulares do Colégio Fênix, Marcos Ueda, afirma que, infelizmente, ainda é comum a escolha da profissão ser tomada sob a pressão dos pais. “Muitos pais ainda agem assim. Projetam sobre os filhos os sonhos que não realizaram e os filhos acabam optando pela profissão que os pais desejam”, afirma.

Segundo Ueda, estes jovens muitas vezes estão confusos e acreditam que o desejo de fazer direito, medicina e engenharia é seu, mas na verdade é dos pais. O coordenador afirma que não são raros os pais que falam abertamente que não aceitam que os filhos façam determinadas opções.

“Eles dizem que estão pagando um colégio caro e querem que o filho escolha uma profissão que eles acreditam que, dará mais retorno financeiro. Dizem que não querem, por exemplo, que os filhos façam pedagogia, geografia”, afirma.

Segundo ele, no entanto, a maioria dos alunos ainda opta por cursos que gostam. “Eles até fazem testes vocacionais, mas muitas vezes não o consideram. Vão por aquilo que gostam mais.” Joana de Faria, 17 anos, não precisou de orientação vocacional.

A jovem está se preparando para o segundo vestibular. Convicta da sua escolha, ela afirma que fará medicina por vocação. A profissão começou a chamar sua atenção aos 13 anos. “Eu comecei a observar a profissão em programas de televisão, lia artigos na Internet. Via como os médicos ajudavam as pessoas”, conta.

A certeza da escolha da profissão veio aos 14 anos. “Eu tive um problema de saúde e precisei de médicos. Pude ver de perto como eles podem ajudar os outros”, conta. Joana não teve mais dúvidas de que medicina será seu destino.

Ela afirma que espera, sim, por retorno financeiro, mas de forma alguma este é o objetivo principal de sua escolha. “Quero ser boa profissional e usar o meu conhecimento para ajudar as pessoas, sem exigir muito financeiramente delas. Quero oferecer um trabalho de qualidade para aqueles que não podem pagar muito”, afirma.

Fabrício Leonardi, 19 anos, também sonhava em fazer medicina. Abandonou o sonho. Hoje, no terceiro ano de cursinho decidiu fazer engenharia de produção. O que aconteceu com Fabrício? Pressionado pela dificuldade financeira da família em manter mais um ano de cursinho para o jovem, ele decidiu escolher outra profissão. Optou desta vez por deixar a vocação de lado e fazer uma análise de mercado.

“Vi que existem muitas vagas em grandes empresas como Petrobras, Correios, Companhia do Vale do Rio Doce para engenharia de produção”, conta. “O salário também é bom, dependendo dos cargos que você ocupar, pode chegar entre R$ 8 mil e R$ 10 mil”. Fabrício está decidido a planejar sua carreira e já pensa em qualificação. “Vou fazer mestrado, doutorado, para crescer na profissão”, conta.

Tudo muito definido e planejado. Porém, quanto à satisfação profissional, Fabrício não é tão otimista. “Não sei se vou ser um profissional feliz, mas vou me esforçar para ser bom no que vou fazer”, afirma.

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