Plano Diretor

Rodovias serão eixos industriais

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O projeto de lei do novo Plano Diretor (PD) estabelece que parte das Àreas de Proteção Ambiental (APAs), ao redor da área urbanizada de Bauru, vai ser destinada à ocupação de novos empreendimentos industriais, comerciais e institucionais.

A legislação atual não permite a ocupação das APAs como fator preponderante de preservação das matas nativas e dos córregos que circundam a cidade e os municípios vizinhos. Mas o projeto apresentado no congresso municipal, ontem, estabelece como única exceção a instalação de pólos industriais ao longo dos três principais eixos rodoviários que têm ligação com o perímetro urbano.

Os eixos previstos são as extensões da rodovia Marechal Rondon (SP-300) nas direções de Avaí e, na outra ponta, de Botucatu, as marginais da rodovia Bauru-Marília (SP-294) em direção à saída para Duartina e a rodovia Bauru-Arealva, sobretudo em direção às instalações do novo aeroporto.

“Durante as reuniões com representantes dos diversos segmentos foi levantada preocupação com o fato de a instalação industrial estar centralizada apenas em distritos, que cumprem seu papel. Os eixos rodoviários criam possibilidade de abrir nos eixos rodoviários, ao longo das marginais das rodovias, novas opções de pólo industrial, comercial e também com reserva para instalações institucionais”, observa a arquiteta Maria Helena Rigitano.

Para o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB), a proposta atende a demanda por atração de emprego e produção sem interferir na preservação de áreas ambientais. “A questão de permitir o uso de margens de rodoviais não afeta a atuação das APAs”, comenta.

Delegado no PD representando o setor do comércio, Francisco Bernardes, vê a medida como oportunidade de incrementar a vocação logística de Bauru. “Há a necessidade normal de preservação dessas áreas, mas antes havia muita proibição, não podia nada. Permitir indústrias ao longo das rodovias abre nesses locais eixos de logística, sobretudo em transportes no qual Bauru é forte por sua localização. Ficam, no futuro, como estações de transbordo de produtos e bens, de uma região para outra e sem entrar na área urbana, desafogando também o trânsito central ao longo do tempo sem a presença de inúmeros caminhões de carga e descarga”, avalia.

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