Bairros

Bauruenses se ‘aquecem’ para a Copa

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 3 min

Não é de hoje que a Copa do Mundo de futebol movimenta o Brasil. Orgulho da Nação, ópio do povo, não importa, a verdade é que, quando as cores verde-e-amarela adentram o gramado para disputar com outros países quem é o melhor do mundo no esporte, o Brasil inteiro se une e se mobiliza.

Há 12 dias do início da Copa e 16 da estréia do Brasil contra a Croácia, comerciantes apostam nas cores da seleção para alavancar as vendas, tanto na decoração de seus estabelecimentos quanto nos produtos vendidos; populares enfeitam suas casas, penduram bandeiras e colecionam figurinhas de jogadores e trabalhadores negociam com patrões a paralisação dos serviços durante os jogos da equipe canarinha.

Diferentemente da competição passada, na qual o Brasil sagrou-se pentacampeão, mas a Seleção estava inicialmente desacreditada, os bauruenses estão confiantes que desta vez o Brasil trará o hexacampeonato da Alemanha com certa tranquilidade. “Não há nenhum time à altura do nosso. Essa vamos ganhar fácil”, acredita o ambulante Josimar Caldino, 43 anos.

Empolgada com a Copa desde o início do ano, a artista plástica Adriana Goulart pintou uma bandeira do Brasil na rua em frente à sua casa, no Bauru 2000, em março. Após sete horas de trabalho ininterrupto, ela recebeu apoio e elogios dos moradores do bairro. “O trabalho ficou muito bonito. A gente tem que acreditar. Por que não ser campeões na Alemanha?”, diz o vizinho Sebastião Soares de Oliveira.

As vitrines das lojas são reflexo de toda esta confiança e empolgação. Bandeiras, papel crepom com as cores verde e amarela e até pinturas compõem os cenários que atraem a atenção dos consumidores e ajudam a comprovar que a paixão pelo esporte pode render financeiramente.

De acordo com Benito Cáceres, gerente de uma loja de confecções e tecidos no Calçadão da Batista de Carvalho, tecidos e toalhas com a bandeira do Brasil estampadas têm tido grande procura. “Hoje o que mais vende na loja são estes produtos com as cores do nosso País. Na semana passada até um rapaz que estuda nos Estados Unidos comprou uma quantidade enorme de tecido para levar para o Exterior”, conta.

Um tecido com três bandeiras custa R$ 4,20. No entanto, há produtos para todos os gostos e bolsos, desde bandeirinhas de R$ 0,50 a jóias de R$ 1.000,00 com as cores verde e amarela. O produto mais procurado é a tradicional camiseta, que pode variar de R$ 9,90 a R$ 189,00, caso da roupa oficial utilizada pelos jogadores.

No segmento comercial, um dos maiores sucessos de vendas desta Copa são as figurinhas com jogadores das seleções, cujo álbum o JC distribuiu em parceria com a Panini Brasil Ltda. há cerca de um mês. Basta passar perto de qualquer banca de revistas para perceber o movimento intenso de crianças e adultos em busca dos adesivos.

Outro ramo que pretende faturar com os jogos da seleção brasileira são os bares. Empresários que dispõem de recursos e infra-estrutura vão instalar telões, mas mesmo os estabelecimentos menores disponibilizarão televisores para que os clientes possam acompanhar as partidas saboreando porções e consumindo bebidas.

Apesar de não ganhar nada, comerciantes também afirmam que não vão perder ao dispensar os funcionários mais cedo em dia de jogos da Seleção brasileira. De acordo com Maurício Valle, proprietário de uma loja de calçados no Centro, o comércio estará vazio nos dias de jogos. “Aqui vai ficar tudo deserto. Se não tiver ninguém comprando, com certeza vou liberar o pessoal na hora dos jogos”, explica.

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