Ao deixarem as clínicas e os hospitais, os pacientes portadores de doenças mentais recomeçam uma nova vida. Por meio do programa “De volta para casa”, por exemplo, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, aqueles que têm opção podem retornar para o convívio familiar.
Eles continuam a receber atendimento especializado por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e são beneficiados com um salário mínimo para ajudar em suas despesas, até que possam trabalhar e se sustentar. Se em um período de 12 meses o beneficiário do programa não apresentar condições favoráveis à completa reintegração à sociedade, o auxílio é renovado.
Os Caps prestam atendimento a pessoas com transtornos mentais. Quando cuidam de crianças e adolescentes são chamados de Caps-i. Também compõem a rede de Caps serviços voltados às pessoas que sofrem de transtornos decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas (Caps AD).
Os Centros de Atenção Psicossocial oferecem desde cuidados clínicos até atividades de reinserção social do paciente, como o acesso ao trabalho, ao lazer e aos direitos civis e o fortalecimento dos laços familiares e sociais. A equipe do Caps é composta de psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, professores de educação física, assistentes sociais, enfermeiras e auxiliares de enfermagem.
Existem 800 Caps em todo o País. Até o final de 2006 a meta do Ministério da Saúde é atingir o numero de 1.000. “Ao contrário dos hospitais, estes centros permitem atendimento diferenciado ao paciente, conforme o seu problema, e estão situados próximos ao lugar de moradia dos pacientes e seus familiares. Dessa maneira, aumentam as chances de recuperação”, avalia Pedro Gabriel Delgado, coordenador nacional do Programa de Saúde Mental do Ministério da Saúde.
Os Caps são classificados em três tipos diferentes, de acordo com sua capacidade de atendimento. O Caps 1 atende a uma região de referência, chamada “território” de até 50.000 habitantes; o CAPS 2 atende a um território de 100.000 habitantes, e o CAPS 3, que funciona 24 horas por dia e todos os dias da semana, pode dar cobertura para uma população de até 150 mil habitantes. Os Caps recebem incentivos financeiros do Ministério da Saúde, de acordo com o seu porte.
Os pacientes que não têm a opção de voltar ao convívio familiar podem ser recebidos pelas chamadas Residências Terapêuticas. Elas são alugadas com recursos do Ministério da Saúde repassados aos governos municipais. Geralmente, um profissional é encarregado de cuidar dos moradores.
Em cada Residência Terapêutica podem morar até oito pessoas. Até o fim de 2002, existiam 85 dessas casas. Hoje, elas chegaram a 470 unidades. As Residências Terapêuticas estão presentes em 81 municípios brasileiros e beneficiam mais de 2.000 moradores.