Jaú - Os servidores municipais de Jaú (47 quilômetros de Bauru), que iniciaram uma operação “tartaruga” ontem em alguns setores da administração pública, ameaçam entrar em greve ainda esta semana. O Sindicato dos Funcionários da Prefeitura, Autarquias e Empresas Municipais (Sinfunpaem) não aceitou a contraproposta do Executivo e quer reajuste de 15% nos salários dos servidores e aumento de 50% no valor do vale-alimentação.
Em uma assembléia realizada na sexta-feira passada pelo Sinfunpaem, com a participação de cerca de 700 servidores, ficou decidido que os funcionários da administração pública realizariam uma operação ‘tartaruga’ até amanhã em protesto contra a proposta de melhoria salarial apresentada pela prefeitura na quinta-feira passada.
Segundo o presidente do sindicato, Edenilson de Almeida, a proposta apresentada pelo órgão ao prefeito João Sanzovo Neto (PSDB), prevê aumento de 15% nos salários dos servidores e reajuste de 50% no valor do vale-alimentação, que passaria dos atuais R$ 80,00 para R$ 120,00.
A prefeitura, através do secretário de Administração, Carlos Augusto Moretto, apresentou uma contraproposta ao sindicato na reunião realizada na quinta-feira. Pela contraproposta, a prefeitura se comprometeria com o reajuste de 3,34% referente ao repasse da inflação acumulada nos últimos 12 meses e com o aumento no valor do vale-alimentação que passaria de R$ 80,00 para R$ 93,00 a partir de maio e para R$ 100,00, em outubro.
Almeida explica que a prefeitura têm repassado nos últimos anos apenas a correção da inflação nas datas-bases da categoria, em maio. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o Executivo deu abonos anuais no valor de R$ 40,00 nos últimos cinco anos e que foram incorporados aos salários dos servidores. “Para quem ganha o piso foi um bom reajuste, quase 80%. Mas nos outros cargos que tem no escalão da prefeitura, todos ficaram defasados com a concessão do abono apenas”, critica o sindicalista.
De acordo com Almeida, foi protocolado ontem na prefeitura um comunicado oficial avisando com a antecedência de 72 horas que, caso os servidores municipais decidam em assembléia amanhã, será deflagrada a greve geral na quinta-feira. “Na quarta-feira, a gente vai fazer uma assembléia para ver como que está o movimento e, dependendo de como estiver, na quinta-feira deflagramos a greve geral”, avisa.
Segundo ele, a operação “tartaruga”, que teve início ontem, começou na área da Educação com o não funcionamento de algumas creches e escolas municipais. “O pessoal está entrando para trabalhar, mas na verdade não está trabalhando. O pessoal já atendeu o pedido nosso e não levou as crianças para as escolas e para as creches”, comenta.
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No limite
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Jaú, a proposta de reajuste apresentada pela administração municipal estaria no limite do que é possível oferecer e não haveria como conceder um aumento maior sem esbarrar na Lei de Responsabilidade Fiscal. A assessoria alega também que apenas alguns setores do funcionalismo municipal estariam descontentes com a proposta apresentada.
A prefeitura também divulgou ontem uma nota oficial dizendo que entende como “esgotadas as negociações com o sindicato da categoria” e pede a “todos os servidores municipais que retornem, de imediato, ao serviço público (...) sob pena de ficarem incursos e sujeitos às sanções e punições legalmente previstas”.
O conteúdo na nota termina lembrando que, se for o caso, o Executivo vai recorrer à Justiça do Trabalho propondo Ação Declaratória de Ilegalidade e Abusividade de Greve para “evitar prejuízos nos serviços públicos essenciais e indispensáveis à coletividade”.