Há mais de duas décadas, quando estava ocupando alto cargo administrativo da educação com sede nesta cidade, não sei se por mérito pessoal, por qualquer outra razão, ou mesmo amizade, o então diretor da EE “Azarias Leite”, do Jardim Redentor, professor Francisco Pinheiro Neves, realizou uma votação junto aos professores e alunos que culminou com a escolha do meu nome para ser o patrono da biblioteca em formação da referida escola. Em determinado dia daquele tempo fui convidado a comparecer em sua inauguração marcada pelo descerramento de uma pequena placa de bronze com o meu nome encimando a porta de entrada, visita à mesma e por uma confraternização.
Deixei o cargo, aposentei-me e em verdade até me esqueci de tão significativo fato, pois achava que poderia ter outro nome e até mesmo que não existisse mais. Muito grande foi minha surpresa, quando, recentemente fui informado por uma colega e amiga de que um seu filho que estuda na referida escola havia levado para casa um livro para leitura, identificado como do acervo da biblioteca escolar que ainda mantém o meu nome! Surpreso e não me contendo, levando um amigo como testemunha para partilhar da minha alegria dirigi-me à referida escola com o fim específico de a rever e visitá-la.
Carinhosamente recebido pela direção, coordenação e responsável pela biblioteca, visitei-a, agora instalada em outra sala mais ampla, com mesinhas para os alunos leitores, constatando o grande número de livros do seu acervo, sua excelente organização e fui informado de que também serve à comunidade. E lá continua a mesma plaqueta de bronze, também transferida para a nova sala, agora porém mais escura devido ao passar dos anos!
Os meus caros colegas e leitores podem avaliar o meu grau de emoção por esta honraria em ter o meu nome inserido na história dessa modelar casa de ensino que, assim como outras, pulsa de vida, uma vida contínua e irreversível contida nos gritos, brincadeiras, artes e sonhos dos alunos. Pois sempre existirão alunos e existirão sonhos! Nós, mestres, apesar de todos os percalços e anos percorridos ao longo da carreira, das aspirações frustradas e decepções, também temos as nossas alegrias como a constituição de uma família, a amizade sincera de colegas e amigos, o reconhecimento e a certeza de que nossa imagem, nome e ações continuam existindo e sempre lembradas por nossos ex-alunos; enfim, a certeza do dever cumprido galhardamente e com idealismo na nobre missão de educar. E o meu prêmio ainda é maior por esta homenagem ainda em vida! Nesta oportunidade e através desta coluna do JC quero agradecer a todos os diretores, professores, coordenadores e alunos da EE “Azarias Leite” que por lá passaram ao longo destas duas décadas, mantendo meu nome na referida instituição, ou seja, na biblioteca que, tenho certeza, muitas luzes deu e continuará dando a muitos. Nada fiz por merecer mas, em meu nome e de minha família, agradeço.
Joaquim Eliseo Mendes - professor