Tribuna do Leitor

Rock é cultura, sim!


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“Quando querem transformar estupidez em recompensa”, um verso de uma canção composta e interpretada pela Legião Urbana há quase dezessete anos atrás, ainda se faz presente em algumas mentalidades preconceituosas e reacionárias. Se rock é ou não cultura é a questão que menos importa, porque rótulo se limita à importância de quem o coloca, mas se o intuito da arte é provocar e emocionar pessoas, causar algum tipo de reação, então acho que estamos, sim,falando de um dos maiores movimento culturais e de comportamento do século XX, feito por e para jovens

Do mito nascido em meados dos anos sessenta, os Beatles foram responsáveis por canções simples de melodias delicadas que influenciaram pessoas no mundo inteiro. No Brasil, o Rock n’Roll que era tido como lixo cultural e instrumento de alienação, foi defendido por Caetano e Gil, esses mesmos medalhões que são endeusados por pessoas que detestam Rock. Um pouco mais tarde, bebendo dessa mesma fonte, nascia o Clube da Esquina, movimento musical de Minas que tinha em seus maiores representantes nada mais que Beto Guedes, os irmãos Lô e Márcio Borges e Milton Nascimento, sim, ele mesmo, o “Bituca”, que tem em seu repertório a belíssima “Para Lennon e MacCartney”.

“Você não gosta de mim, mas sua filha gosta”, verso que provém de Chico Buarque, talvez o maior poeta da nossa música, exemplifica bem a essência do Rock n’Roll.

Posso enumerar aqui vários flertes de artistas respeitados da dita MPB com artistas do Rock brasileiro. Entre duetos e parcerias posso citar Marisa Monte, Zizi Possi, Flávio Venturini, Marina Lima, Luiz Melodia, Ângela Ro Ro, Djavan e tantos outros filhos do tropicalismo que de tamanha sensibilidade e talento reconhecem ali uma música de valor a ser respeitada.

A geração oitenta do rock brasileiro deixou canções que já fugiram do imediatismo da cultura de massa, pois não é todo dia que se vê na música brasileira um verso como “ Não me elegeram chefe de nada, o meu cartão de crédito é uma navalha”, verso de Cazuza, talvez seu maior representante. Sem falar em Raul Seixas, Rita Lee, Lobão, Herbert Vianna,Titãs, Barão e tantos outros que já contribuíram, sim, para a cultura do Brasil.

Gostar ou não de rock, achar que presta ou não presta, fica a critério de cada um, mas respeito e liberdade de expressão são quesitos imprescindíveis a qualquer democracia que se preze. “Vamos pedir piedade pra essa gente careta e covarde”.

Danilo Mendes Genebra - RG 40.963.502-9

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