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Alckmin quer os votos de José Serra

Folhapress
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São Paulo - Em posição diametralmente oposta à de José Serra nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, planeja se aproximar do ex-prefeito para tentar reverter sua tendência de queda em São Paulo, especialmente na região metropolitana da Capital. Até ser derrotado por Alckmin na disputa interna tucana, Serra aparecia nos levantamentos como o candidato com mais chances de vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As pesquisas, no entanto, têm mostrado que o PSDB não conseguiu transferir os votos de Serra para Alckmin. Por isso, a necessidade de aproximá-los. Mas até ontem o grupo próximo ao presidenciável no Estado tentava, sem sucesso, agendar a primeira aparição pública da dupla desde que Serra, pré-candidato ao governo, retornou de uma viagem ao Exterior, há três semanas.

Reservadamente, os alckmistas reclamam que Serra está se esquivando da companhia do ex-governador, 23 pontos atrás do presidente Lula na última pesquisa Datafolha, e já temem o que chamam de “descolamento” das duas candidaturas, o que seria péssimo para Alckmin no início da disputa.

O alvo das críticas do grupo de Alckmin é o comando unificado das campanhas tucanas na Grande São Paulo. O órgão não estaria empenhado em trabalhar pelo presidenciável. “Isso não faz o menor sentido. Em todas as nossas reuniões pedimos votos e batalhamos pelos dois candidatos”, diz o vereador Gilberto Natalini, coordenador do comando unificado na Grande São Paulo. Natalini, no entanto, reconhece que há dificuldades. Diz que a aproximação está complicada por causa da diferença de prioridades e agendas dos candidatos.

Semana passada, no entanto, Alckmin passou dois dias em seu escritório na Capital paulista, mas não teve eventos públicos de campanha. A esperança dos tucanos é que nesta semana Serra e Alckmin consigam conciliar suas agendas para uma visita ao interior de São Paulo. Serra, com 56% das intenções de voto, 39 pontos à frente de Aloizio Mercadante (PT), tem evitado, ao menos por enquanto, “colar” sua imagem ao Palácio dos Bandeirantes e à gestão de Alckmin.

O ex-prefeito teme um desgaste na sua campanha por conta da onda de rebeliões e atentados promovida pela facção criminosa PCC. Apesar de liderar a corrida eleitoral em São Paulo, Serra caiu de 63% para 56% após os atentados.

Povo torturado

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, disse ontem em Petrolina (a 780 quilômetros de Recife) que o povo brasileiro foi torturado pelos escândalos envolvendo pessoas ligadas ao governo federal.

A declaração foi mais uma resposta do tucano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na quinta-feira desafiou a oposição a utilizar, na campanha eleitoral na TV, as denúncias de corrupção contra seu governo e integrantes do PT. “Eu quero que eles coloquem as torturas que eles fizeram com muita gente lá”, declarou Lula.

Alckmin, que no mesmo dia afirmou que o presidente era cínico, voltou ao ataque ontem. “Torturado foi o povo brasileiro. É o cuecão, o dólar de Cuba na caixa de uísque, o desvio de dinheiro público, a operação sanguessuga, o caixa dois, o valerioduto, o caseiro nordestino tendo o sigilo bancário violado. Isso é que é tortura”, disse, listando as denúncias mais rumorosas de corrupção envolvendo pessoas ligadas ao governo.

Para o tucano, os sinais de irregularidade encontrados na Operação Sanguessuga não se restringem a apenas um setor do governo. “A realidade é muito mais grave”, disse.

Alckmin acredita que o presidente já foi atingido pelas denúncias, mas que isso ainda não se refletiu nas pesquisas de intenção de voto porque ainda não foi feita a distinção entre popularidade e credibilidade.

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