Regional

Francal pode ‘salvar’ empregos em Jaú

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O setor calçadista de Jaú (47 quilômetros de Bauru) acendeu o sinal de alerta para a velocidade em que as demissões de profissionais está ocorrendo desde o início de janeiro deste ano. Até maio, 1.900 trabalhadores foram demitidos, conforme dados do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçado de Jaú. Este é o resultado da queda na produção de calçados, que já atinge de 30% a 35%, segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú (Sindicalçados), Caetanto Bianco Neto.

Ele aposta na 38.ª Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes (Francal 2006), de 4 a 7 de julho em São Paulo, para aquecer os pedidos ao pólo do calçado feminino de Jaú. Esta perspectiva otimista provocaria a reversão do atual quadro com recuperação da produção e retomada de contratações. “A situação hoje é bastante preocupante, mas a gente espera que a Francal e os novos lançamentos alavanquem as vendas”, explica.

O corte de pessoal nas indústrias calçadistas de Jaú, de janeiro a maio de 2006, é 20% maior do que no mesmo período do ano passado.

Bianco Neto atribui a queda das vendas, à desaceleração da fabricação e à conseqüente demissão de trabalhadores ao famoso conjunto de fatores. Ele cita a deflação - falta de consumo - no mês de maio.

“Vi alguns dados de que a economia brasileira cresceu no primeiro trimestre deste ano. Só que isso não contemplou nosso setor. Até gostaria de saber que setores foram contemplados com isso”, desabafa.

Como exportar?

Segundo o presidente do Sindicalçados, medidas compensatórias prometidas pelo governo federal para o setor calçadista brasileiro não chegaram até o momento. Representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, garantiu que o governo iria criar linhas de crédito para incrementar as atividades de pequenas e médias empresas voltadas para a exportação, como forma de gerar novos empregos e abrir novos nichos de mercado.

Esse foi o teor do discurso do ministro de Lula no dia 14 de janeiro último, na abertura da 30.ª Couromodas (Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos) em São Paulo.

Bianco Neto diz que falta, principalmente, apoio a empresas exportadoras, como as de Jaú, com financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele lembra que a tal ajuda ao setor contemplaria juros condizentes com a realidade mundial, medidas para barrar produtos chineses, entre outras.

“À medida que as empresas não estão conseguindo exportar, também por causa do dólar baixo, elas acabam se voltando para o mercado interno e isso gera uma competição muito mais acirrada”, explica.

O pólo calçadista de Jaú é formado hoje por cerca de 250 empresas. Bianco Neto ressalta que o setor gera mais de 12 mil empregos diretos e indiretos.

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Feira expõe calçado jauense

A confiança na Francal 2006 baseia-se no fato da feira representar o maior evento lançador de moda em calçados e acessórios para a temporada primavera-verão da América Latina. Os negócios realizados durante a feira, e a partir dela, respondem por três a quatro meses de produção e até nove meses de vendas para as empresas expositoras. Na edição deste ano, a Francal reúne 1.000 expositores numa área de 46 mil m² e se espera a visita de 60 mil profissionais do setor.

Em relação à edição anterior, a área de exposição está dois mil m² maior numa ampliação para abrigar novos expositores e atender à demanda de mais espaço de empresas que já participam. Só em um dos estandes vai abrigar um mix de 14 empresas jauenses que vão mostrar seus calçados e acessórios para nova estação.

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