Santiago - Em mais um esforço para destravar a crise causada pelos protestos estudantis no Chile, o governo Michelle Bachelet anunciou na noite de anteontem que os estudantes participarão no conselho formado para discutir a reforma educacional, que será anunciado hoje.
Os estudantes exigiram garantias de que participarão da discussão da nova lei para interromper a greve nos colégios, que já dura duas semanas. O porta-voz da Assembléia Coordenadora de Estudantes Secundaristas, Maximiliano Mellado, disse ontem que o movimento quer “50% + 1 dos membros no conselho para garantir a voz dos movimentos sociais”.
Os porta-vozes do movimento se reuniram, com o senador Mariano Ruiz-Esquide, presidente da Comissão de Educação do Senado, para negociar uma saída para a crise. O senador afirmou que além dos estudantes, terão espaço nos debates professores, estudantes universitários e pais de alunos.
O governo também anunciou que 80% dos alunos serão isentos da taxa de US$ 40 cobrada para fazer o vestibular - só os 20% de maior renda continuarão pagando. A gratuidade no transporte público, outra demanda, não foi atendida.
Os estudantes pedem que os grandes lucros com a venda de cobre, principal produto de exportação do país, sejam investidos em educação.
Volta às aulas
A decisão de voltar ou não às aulas seria tomada numa nova assembléia de estudantes, que não terminou até o fechamento desta edição. Os setores mais moderados do movimento já cogitavam deixar os colégios ocupados ontem e retomar o ano letivo na próxima semana.
O sucesso do movimento apressou a decisão do governo de reformar a lei educativa, aprovada no último dia da ditadura de Augusto Pinochet. A lei municipalizou o ensino público, e facilitou a criação de instituições educacionais privadas com subsídios públicos. Até a oposição conservadora manifestou que apoiaria a reforma.
Apesar de episódios violentos de confronto com a polícia - houve 376 detidos na jornada de protestos de segunda, a mobilização conta com amplo apoio da população, segundo pesquisa publicada ontem pelo jornal chileno “La Tercera”. De acordo com entrevistas feitas no fim de semana, 87% da população apóia os protestos dos estudantes.