Polícia

Festa junina: dois já se queimaram

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O período de festas juninas está apenas começando e a Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital Estadual (HE) já recebeu duas vítimas com queimaduras. Um delas, um adolescente de 14 anos, teve 22% do corpo queimado quando tentava acender uma fogueira. A preocupação é também com os fogos de artifícios das festas juninas e das comemorações da Copa do Mundo. Para evitar mais acidentes, a Polícia Militar realizou simulações de acidentes com bombinhas e rojões no Parque Vitória Régia para alunos do Jovens Construindo a Cidadania (JCC) e população.

De acordo com Cristiane Rocha, coordenadora da Unidade de Queimados do HE, ainda não foi registrado nenhum caso de pessoas que se acidentaram com fogos de artifício, mas com o aumento do número de festas juninas e com a proximidade dos jogos da Seleção Brasileira no Campeonato Mundial, trabalhar a prevenção é o melhor caminho. “Se você não mostra essas situações, imagens de queimaduras, as pessoas não se atentam ao perigo”, explica.

Por isso, além das demonstrações, as pessoas que acompanhavam as detonações - feitas por dois palhaços para explicar as maneiras menos indicadas para soltar os fogos - também puderam ver cartazes com fotos de crianças e jovens gravemente feridos com as bombinhas e acompanhar relatos de pessoas que perderam partes do corpo em acidentes.

As duas vítimas atendidas pelo HE neste ano se acidentaram com fogueiras. Uma criança de 7 anos, ao tentar pular uma delas, acabou sofrendo queimaduras leves no pé. Ela foi atendida e não precisou ser internada. Ao contrário do adolescente que tentou ascender uma fogueira. O frasco de álcool que ele estava usando pegou fogo e explodiu, queimando gravemente 22% de seu corpo. “Ele ainda está internado. Suas queimaduras foram de 2º grau, grave”, explica Rocha.

Outra queimadura que preocupa a equipe do HE no inverno é a causada por líquidos quentes. “Ano passado, dos 16 leitos que a unidade possui, 10 estavam ocupados por crianças. E dessas, nove tinham se queimado com líquido”, lembra a coordenadora. Segundo Rocha, as crianças acidentalmente derrubam bebidas quentes no corpo. “Também temos alguns casos em que as mães estão preparando o banho dos filhos, despejam a água quente e se esquecem da fria e acabam colocando as crianças na banheira”, descreve.

Nas simulações de ontem, adolescente do programa Jovens Construindo a Cidadania de Bauru e região e vários curiosos acompanharam as demonstrações de dois palhaços sobre maneiras seguras de disparar os fogos e as formas mais comuns de causar acidentes. “As pessoas devem respeitar os fogos, usar a prudência para que um momento de alegria não se transforme numa tragédia”, explica o capitão Jorge Duarte Miguel, que coordenou a simulação.

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Sensibilização

Além das simulações e fotos, quem estava no Parque Vitória Régia ontem à tarde acompanhou relatos emocionados de pessoas que se acidentaram com os fogos e perderam membros com as explosões. “Alcançamos nosso objetivo de sensibilizar as pessoas quanto aos cuidados na hora de lidar com os fogos de artifício”, avalia o capitão Jorge Duarte Miguel.

“Não sabia que podia causar tanto estrago”, se surpreende Adhonas Viana, 12 anos. Ele e seus amigos acompanharam toda a demonstração e olhavam espantados as latinhas que as bombas mandavam para o alto. Camila Seabra de Souza, 12 anos, garante que só soltou biribas até hoje.

“E depois de ter visto aquelas fotos, não solto bombinhas mesmo”, garante. Isabella Vieira Palhaci, 12 anos, admite que já soltou algumas bombinhas. “Mas dessas nunca. E depois do que eu vi, não vou soltar. As fotos são muito chocantes”, conta.

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