Regional

Sta. Casa de Jaú só atenderá urgência

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - As pessoas que procurarem os serviços do pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de Jaú, a partir de segunda-feira, serão submetidas a uma triagem antes da consulta. A determinação é da diretoria clínica do hospital, que, com a iniciativa, pretende atender apenas casos de urgência e emergência. Os demais serão encaminhados à rede básica.

A estimativa é de que os 13 mil atendimentos prestados na entidade ao mês sejam reduzidos a 70%, ou seja, o equivalente a 10% da população jauense. A informação é do diretor clínico da Santa Casa, o médico João Carlos de Almeida Prado.

Segundo ele, a estrutura da entidade não suporta a demanda que atende. Além de Jaú, são consultados no local pacientes de outras 12 cidades da região. Os casos ambulatoriais, isto é, sem gravidade, acabam comprometendo a agilidade do atendimento de urgências e emergências, para os quais a entidade recebe subvenção do governo do Estado.

“Não conseguimos fazer com qualidade o que nos comprometemos. Por isso a necessidade dessa triagem. Então, a partir de segunda-feira, os pacientes que não forem considerados casos de urgência ou emergência, serão encaminhados à rede básica de saúde. Teremos um folheto que vai orientar qual médico deve ser procurado de acordo com a necessidade de cada pessoa. Inclusive, esse atendimento básico deveria ser feito apenas nos postos (de saúde)”, explica Prado.

O médico acredita ser remota a possibilidade do atendimento atual, isto é, sem a triagem de pacientes, ser mantido. Ele estima que, para isso, seriam necessárias a ampliação dos recursos financeiros repassados à entidade, a contratação de pelo menos mais um médico e a expansão do espaço físico. Aumentar o número de dias de atendimento dos médicos especialistas também é uma das prioridades, acredita Prado. Hoje, são 11 profissionais especializados que, segundo ele, recebem R$ 40,00 por dia para ficar à disposição do hospital.

No pronto-atendimento são quatro, sendo dois socorristas, um pediatra e um ginecologista. Os 11 da retaguarda são das áreas de oftalmologia, otorrinolaringologia, neurologia, cirurgia de cabeça e pescoço, endocrinologia, urologia, cirurgia plástica, infantil, vascular, geral e ortopedia.

“Por ora, a triagem foi a única solução que encontramos para não perdermos os nossos médicos. Muitos já sinalizam o desejo de deixar o hospital. O atendimento ambulatorial não é nossa obrigação”, completa Prado.

Conforme ele, a Santa Casa recebe, hoje, R$ 141 mil por mês da Prefeitura de Jaú, que são destinados à manutenção do pronto-socorro, e uma média de R$ 60 mil, também por mês, do Estado. A quantia varia de acordo com o número de atendimentos prestados a cada 30 dias. Hoje, o déficit mensal do hospital, de acordo com Prado, é de R$ 20 mil.

O secretário de Saúde do município, Antônio Marcos Rodrigues, não foi encontrado pela reportagem para se pronunciar sobre o assunto. Em comunicado enviado à Redação do JC, ele alega que não foi consultado pela diretoria da Santa Casa sobre a realização da triagem a partir de segunda-feira.

Diz, ainda, que a responsabilidade por quaisquer implicações que o procedimento possa resultar será de inteira responsabilidade da instituição.

A nota também ressalta que a secretaria vai exigir que os encaminhamentos para a rede básica sejam realizados por escrito. “Este documento servirá de referência ou como contra-referência de atendimento. Os pacientes que passarem por esta situação, devem exigir os encaminhamentos por escrito”, ressalta Rodrigues, em nota ao JC.

Ele acredita que a reestruturação proposta pela Santa Casa resultará no crescimento da demanda na rede básica de saúde. “Esperamos que com a implantação do atendimento no pronto-socorro do Hospital São Judas Tadeu, todo esse fluxo de urgência e emergência seja melhor equacionado.”

Providências

Rodrigues salienta no documento, que o quadro de médicos nos Postos de Atendimento à Saúde (PAS) do Itamaraty, Vila Maria e Centro de Saúde, em Jaú, foi acrescido com mais pediatras e clínicos-gerais.

Também destaca que o programa Saúde da Família foi implantado na Policlínica do Jardim Pedro Ometto, além de, no período noturno, atendimentos de urgência e emergência estarem sendo prestados em duas unidades de saúde do município.

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