Brasília - O Tesouro Nacional conseguiu comprar apenas US$ 1,144 bilhão em títulos da dívida externa no leilão finalizado anteontem. A expectativa inicial era comprar US$ 4 bilhões de papéis que estão na mão de investidores. No entanto, a demanda baixa foi interpretada de forma positiva pela instituição. “A demanda abaixo do esperado indica que os investidores estão satisfeitos em manter o nosso papel”, disse Carlos Kawall, secretário do Tesouro. No entanto, ele admitiu que a intenção do governo era poder comprar mais desses títulos. “Ter chegado a um valor maior seria desejável.”
O Tesouro recuperou mais os títulos que vencem no curto prazo (2007-2010), US$ 591 milhões. No caso dos papéis com vencimento entre 2011 e 2014, a instituição comprou US$ 243 milhões. Dos vencimentos entre 2020 e 2030, a compra somou US$ 310 milhões. Fizeram parte do leilão os papéis denominados em dólar que vencem entre 2007 e 2030. Juntos, eles somam quase US$ 20 bilhões. Já os títulos em euros que entrarão no leilão são os que vencem entre 2007 e 2010 e somam 1,693 bilhão de euros.
Praticamente toda a compra ficou concentrada nos títulos denominados em dólar. Apenas US$ 47 milhões dos papéis foram em euros. O Tesouro só poderá fazer maiores avaliações sobre esse leilão no dia 19, quando ocorre a liquidação financeira das operações.
Comprando a dívida
No início do ano, o Tesouro anunciou um programa de recompra de títulos da dívida externa que vencem a “dívida velha” - os chamados bradies -, que foram os papéis emitidos em 1994 durante a renegociação dos débitos de países emergentes. Até o dia 26 de maio, US$ 11,7 bilhões já tinham sido recomprados. Além disso, o Tesouro fez no final do ano passado o pagamento antecipado de US$ 15,5 bilhões para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e de US$ 2,6 bilhões para o Clube de Paris.
Houve também, no ano passado, a recompra de C-Bonds - principal título da “dívida velha” -, no valor de US$ 5,6 bilhões e a emissão de US$ 1,5 bilhão atrelados ao real. O principal objetivo dessas ações é reduzir a percepção de risco que os investidores têm em relação ao Brasil. Isso porque além da redução do endividamento há a ampliação dos prazos médios de vencimento da dívida externa brasileira.