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Record e SBT ameaçam liderança da Globo

Por Mariana Botta | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Se a briga pela audiência parecia ter esfriado na TV, uma nova realidade vem ganhando espaço nas três maiores emissoras. O que parecia pouco provável há menos de quatro anos aconteceu: a Record, aos poucos, vem encostando no SBT e na Globo, vice e líder há anos no ranking do Ibope. Já há faixas de horário em que a Globo fica na terceira colocação - principalmente no final de noite, quando vai ao ar o “Jornal da Globo” e o “Programa do Jô” -, perdendo para as duas principais concorrentes.

Outros momentos em que a emissora sai do primeiro lugar são as manhãs e também o horário do almoço, quando a TV de Silvio Santos leva ao ar o seriado “Chaves”. Considerando como critério a permanência superior a 15 minutos na liderança, não são poucas as atrações que incomodam.

Globo e SBT se mexeram para não ficar para trás. No início de abril, a emissora carioca lançou campanha de marketing para a sua nova programação, com o slogan “Só se vê na Globo”. Já o SBT, que estreou a novela “Cristal” na última segunda-feira, investe na recuperação do espaço perdido para a Record.

“Nossa intenção não é bater a Globo, mas tirar audiência de outra emissora”, disse Herval Rossano, diretor de teledramaturgia do SBT. “Cristal” recebeu cerca de R$ 190 mil em verba de produção por capítulo. “Os Ricos Também Choram” tinha R$ 70 mil.

Se o SBT quer voltar com folga à vice-liderança, o objetivo da Record é o topo da lista. Há alguns anos, a emissora adotou o lema “Rumo à liderança”, e não mede esforços para conseguir o que quer. Um bom exemplo é o atual investimento em telenovelas: só “Prova de Amor” tem um custo total estimado em R$ 30 milhões. Abrir o bolso valeu a pena: a trama, que batia de frente com a fracassada “Bang Bang” deixou muita gente na Globo de cabelo em pé.

A Record investe também na ampliação da central de produção RecNov, que comprou no ano passado de Renato Aragão e que deverá ter oito estúdios até o meio de 2007.

Acostumado a incomodar a Globo, o SBT tem a preferência do telespectador em horários específicos, como as sessões de filmes exibidas por volta das 22h, que são garantia de sucesso. “O público é heterogêneo, mas existe um perfil médio que varia de acordo com o gênero exibido”, afirma Maísa Alves, gerente de comunicação da emissora.

Ela explica que a vantagem no Ibope está relacionada ao tempo de duração da atração. “Enquanto passamos um filme, outra emissora exibe três ou até mais produtos. A tendência dos índices é se concentrarem no produto com maior duração (o filme), propiciando um resultado positivo (média maior que das concorrentes).”

Algumas vezes, a Record também se dá bem com a exibição de filmes, mas seu ponto forte é a atração de Tom Cavalcante. “A sensação (quando passa a Globo no Ibope) é de intensa satisfação e da certeza de que estamos na competição, no caminho certo”, diz o humorista.

Se a tendência é Record e SBT aumentarem os investimentos para chegar à liderança, há casos em que a experiência fala mais alto. “Além do planejamento, o desempenho da grade matutina (infantil) reflete uma característica da emissora. Desde o início das transmissões do SBT, em 1981, existe uma programação segmentada nesta faixa horária, que sempre foi composta e planejada em função do mesmo público. Os resultados refletem o hábito do público infantil”, explica a gerente de comunicação do SBT.

A Globo também aposta nos anos de estrada. Por meio da CGCom (Central Globo de Comunicação), informou que não considera o crescimento da concorrência no Ibope como um avanço e que os números citados pela reportagem são de dias específicos que não se repetem diariamente e “nem sequer refletem a média geral dos programas nos dias em questão”. “A TV Globo não tem com que se preocupar, nem muito menos o que fazer para recuperar o que nunca perdeu: a liderança absoluta.”

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