Muitas pessoas podem pensar que o frio dos último dias foi intenso e que ele é sinal de que o inverno deste ano será pior que nos anos anteriores. Para os meteorologistas, não é possível fazer esse tipo de previsão. “Até o momento, cenário climático não indica inverno rigoroso. Há indícios de que a temperatura possa até ficar acima da média”, afirma Marcos Sanches, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Aeroespaciais (Inpe).
Segundo a meteorologista Rita de Cássia Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Meteorológicas da Unesp (IPMet) o frio fora de época registrado em Bauru é algo normal. “São massas de ar que entram na região e fazem a temperatura cair. Não temos como afirmar se elas continuarão chegando ou não”, salienta.
De acordo com Sanches, maio foi um período de transição para o inverno. “A região central de São Paulo foi atingida por um grande número de frentes frias, as temperaturas caíram e essa situação se prolongou por diversos dias”, completa.
Apesar disso, segundo dados do Inpe, as temperaturas mínimas médias registradas na região mantiveram-se dentro da média para o período de outono. “O que gerou essa sensação maior de frio foi a continuidade de um período em que as temperaturas máximas permaneceram abaixo da média histórica”, explica o meteorologista.
As máximas em maio ficaram entre 3º C e 4º C abaixo das registradas no anos anteriores. “O período foi marcado por alguns eventos, como a chegada das massas de ar que derrubaram as temperaturas, ainda no início do mês, além dos ventos, nos últimos dias, que fizeram o tempo esquentar”, diz Sanches.
De acordo com Sanches, durante o inverno podem ocorrer “veranicos”, que são períodos nos quais as massas de ar frio não chegam à região. “Neste caso, as temperaturas tendem a subir e a grande preocupação passa a ser a baixa umidade do ar”, explica.
O meteorologista alerta, sobretudo os agricultores, para o risco das queimadas no período. “Com a umidade do ar baixa, o fogo alastra-se com mais facilidade, e isso pode causar incêndios graves. Além disso, a fumaça ajuda a piorar ainda mais a poluição atmosférica”, salienta.