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Exercício físico ajuda a recuperar equilíbrio

Por Fernanda Bassette | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Pessoas que sofrem constantemente com tonturas ou vertigens, sintomas típicos de alguma disfunção do sistema vestibular - como a labirintite, por exemplo - têm à disposição uma terapia que pode dispensar o uso de medicamentos: a reabilitação vestibular. Trata-se de uma série de exercícios físicos realizados com acompanhamento médico que tem como objetivo “reeducar’’ o organismo a ter equilíbrio.

O sistema vestibular é um dos principais responsáveis pela orientação espacial e pelo equilíbrio corporal de uma pessoa. Ele é composto por uma parte periférica, que compreende o labirinto e os nervos vestibulares, e uma parte central, que inclui várias conexões com o sistema nervoso.

“O labirinto é o órgão que vai detectar os nossos movimentos da cabeça e mandar sinais para a estrutura central. Lá, esses sinais serão processados junto com as informações visuais e de postura corporal para que o espaço seja mapeado. Dessa forma é que estabelecemos o nosso equilíbrio’’, explica o otoneurologista Fernando Ganança, chefe do setor de reabilitação vestibular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Quando o labirinto apresenta alguma disfunção, seja metabólica, vascular, hormonal ou por traumatismos, essas informações (de movimento e visuais) são decodificadas de maneira errada, o que desencadeia o principal sintoma do distúrbio do sistema vestibular, que é a tontura.

Depois de diagnóstico feito por um médico, a reabilitação é indicada para estimular um fenômeno chamado neuroplasticidade (ou plasticidade neural), que é a capacidade dos neurônios de se transformar e de se adaptar de acordo com as exigências do organismo. São exercícios específicos, que envolvem os olhos, a cabeça e o corpo, feitos diariamente, que forçam o sistema a voltar a funcionar corretamente e, dessa forma, permitem que a pessoa pare de ter tonturas ou vertigens.

“Com a repetição dos exercícios, o organismo é capaz de recuperar o equilíbrio (mesmo com uma parte do labirinto lesada) de tal forma que ele volta a ter uma resposta adequada’’, afirma a fisioterapeuta e gerontóloga Angélica Peixoto.

Uma bailarina ou uma ginasta, por exemplo, consegue fazer várias piruetas ou equilibrar-se em uma trave sem cair e sem sentir tontura de tanto treinar os sistemas envolvidos com a manutenção do seu equilíbrio corporal.

Os especialistas estimam que pelo menos 50% dos pacientes com alguma disfunção do labirinto têm indicação para fazer os exercícios de reabilitação. Segundo a otoneurologista Roseli Saraiva Moreira Bittar, responsável pelo ambulatório de reabilitação vestibular do Hospital das Clínicas de São Paulo, a indicação da terapia independe da gravidade do problema no labirinto, mas deve ser feita sempre por um profissional especializado, depois do diagnóstico correto da doença.

“É importante que o paciente comece no consultório e depois continue os exercícios em casa. Sem treino, a terapia não tem eficácia. Como terapia suplementar, não há dúvidas que é a melhor opção para os portadores de vestibulopatias’’, diz.

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Alimentação inadequada

Os distúrbios do sistema vestibular podem se manifestar de duas formas: com quadro crônico de tontura ou com crises vertiginosas. Existem vários fatores desencadeadores e que agravam o problema, entre eles o estresse e a alimentação feita de maneira inadequada.

No quadro crônico, o paciente não chega a ter uma crise severa de tontura, mas tem episódios freqüentes, que podem ser diários, semanais ou mensais. Já quando a pessoa tem crises vertiginosas, ela passa mal e tem ocorrências de vômito, taquicardia e de sudorese.

Depois de feito o diagnóstico, existem quatro opções de tratamento: o medicamentoso, que serve para eliminar a tontura, mas não trata a origem do problema; a correção dos hábitos alimentares, que elimina substâncias tóxicas para o labirinto, como cafeína, açúcares, cigarro e álcool; a reabilitação vestibular e, em casos mais raros, a cirurgia.

“Muitas vezes a pessoa não sabe que a alimentação errada é que está provocando as crises de tontura’’, explica o otoneurologista Fernando Ganança. Segundo o especialista, os exercícios de reabilitação foram descritos pela primeira vez na década de 40, mas foram consagrados somente nos últimos seis anos, depois de inúmeros estudos sobre sua indicação e eficácia.

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