São Paulo - A comissão de ética do PT deve ouvir durante a semana Bruno Maranhão, líder do Movimento pela Libertação dos Sem Terra (MLST), o grupo que invadiu no último dia 6 a Câmara dos Deputados e destruiu portas, paredes de vidro e equipamentos de informática, em um prejuízo calculado em R$ 150 mil.
Maranhão fazia parte da executiva nacional do PT, na secretaria de movimentos populares, mas foi afastado sexta-feira pela direção do partido. A polícia prendeu cerca de 500 manifestantes envolvidos no quebra-quebra, que foram soltos na sexta após determinação da 10.ª Vara Federal, com exceção de 42 pessoas, entre líderes e autores da depredação, grupo em que está Maranhão. Todo foram levados para o complexo penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.
A comissão de ética vai ouvir o dirigente após sair da prisão e e produzir um parecer com uma recomendação que pode ser acatada ou não pela executiva da legenda. Caberá à cúpula do partido decidir se por uma punição mais branda - como um advertência ou suspensão - ou pela mais forte, a expulsão, como já defendem alguns parlamentares do PT.
PT nega repasses
O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, negou que o PT tenha financiado o MLST. “O PT não recebeu nenhum pedido de contribuição do movimento e muito menos fez qualquer contribuição”, disse ele. Na quinta-feira passada, a Polícia Federal revelou o contéudo de uma agenda, supostamente de Bruno Maranhão, com uma anotação que sugere o comprometimento do partido com o movimento. Na agenda, Maranhão anota que precisa “fechar os números do PT e o orçamento de passagens para R$ 6 mil”.
Em nota à imprensa, o PT informou que o salário de Maranhão corresponde aos R$ 6 mil citados na agenda. O secretário de Finanças, Paulo Ferreira, disse que o partido financia passagens aéreas de seus dirigentes, o que poderia explicar - na sua opinião - os apontamentos.