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Caso Richthofen: fita pode sair do processo

Folhapress
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São Paulo - O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se ontem em favor da retirada da fita com a entrevista concedida por Suzane von Richthofen, 22 anos, do processo que a acusa de ter participado da morte dos pais em 2002. O pedido foi feito pela defesa dela, por meio de um habeas corpus.

O parecer do Ministério Público foi enviado ao ministro Nilson Naves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deverá julgar a solicitação. Suzane concedeu a entrevista quando estava em liberdade provisória. Ela foi presa um dia após a exibição da reportagem, na qual aparece com roupas de temática infantil e pantufas, agindo timidamente e chorando.

O material causou polêmica porque, a certa altura, dois dos advogados dela, Denivaldo Barni e Mário Sérgio de Oliveira, aparecem orientando a cliente a chorar e a demonstrar fragilidade diante das câmeras.

No habeas corpus que deverá ser julgado ainda nesta semana, a defesa de Suzane alega que a gravação do momento em que os advogados aparecem orientando a ré é uma prova ilícita. Outro pedido para retirar a fita dos autos foi negado pelo desembargador Damião Cogan, do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, no último dia 2.

Ele alegou que a fita não ameaça o direito de ir e vir de Suzane e que ela foi “voluntariamente gravada”. Entretanto, para o subprocurador-geral da República Jair Brandão de Souza Meira, “embora tenha concordado em conceder a entrevista ao programa “Fantástico”, a conversa que haveria de ser reservada entre ela e seus advogados foi captada clandestinamente”.

O parecer concorda com a decisão da OAB-SP que, no começo do mês, encerrou o processo disciplinar aberto contra os advogados Barni e Oliveira por considerar que as orientações não eram ilegais e que a gravação quebrou o sigilo entre cliente e advogado.

No último dia 5, Barni e Oliveira, liderados pelo também advogado Mauro Nassif, deixaram o plenário do 1.º Tribunal do Júri antes que fosse instaurada a sessão em que Suzane seria julgada.

Eles disseram ter se revoltado contra uma decisão do juiz, Alberto Anderson Filho, que se recusou a adiar o júri sob o argumento de que uma das testemunhas da defesa havia faltado. Como Suzane ficou sem defesa, o juiz acabou sendo obrigado a adiar o júri para o próximo dia 17 de julho. Segundo Nassif, Suzane ficou “contentíssima” com o resultado da audiência. Suzane cumpre prisão domiciliar desde o último dia 29 de maio, graças a uma decisão do STJ.

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