Por 30 dias, a Alemanha será o centro do mundo. Milhares de fãs de futebol de todo o mundo economizaram durante quatro anos para poder ir ao país-sede da Copa para poder assistir, pelo menos, a uma partida. Acostumados a uma rotina sem muita diversão, os alemães estão gostando muito da invasão de torcedores. Pelo menos em Frankfurt, garante Telma da Silva Weidenbrück, bauruense que há 16 anos mora no país. Em entrevista ao Jornal da Cidade, ela contou como Frankfurt está reagindo à invasão de turistas e revelou que durante dois dias trabalhará no hotel onde a Seleção Brasileira está hospedada.
Formada em hotelaria, Weidenbrück foi chamada para trabalhar num hotel na cidade vizinha, durante um jantar que será oferecido à Seleção Brasileira, no dia 2 de julho. Ela conta que ninguém está autorizado a conversar com os jogadores e o esquema de segurança será muito forte. “Logo na entrada teremos que deixar qualquer máquina fotográfica, essas coisas. Eles não querem correr o risco de alguém fotografar os jogadores e depois vender as fotos”, explica.
No jantar, ela atuará na coordenação dos funcionários. “Fui escalada para colocar um pouquinho de ordem. Apesar de estar trabalhando, vou poder dizer que estive com a Seleção naqueles dias”, anima-se.
Sobre a Copa, ela não esconde o entusiasmo. “Os alemães estão muito empolgados. Divulgaram muito a Copa e hoje estão se divertindo”, diz. A cidade tem pouco mais de 650 mil habitante, mas segundo Weidenbrück, com os turistas, a população quase dobrou. Na Copa, o estádio Waldstadion, já foi o palco da vitória da Inglaterra sobre o Paraguai e hoje será palco do jogo Coréia do Sul e Togo. No sábado jogarão Portugal e Irã e no dia 21, Holanda e Argentina.
Mas o que mudou na cidade? “A segurança está mais reforçada. Ainda temos muitos problemas com skinheads”, revela Weidenbrück. Os skinheads são grupos de xenófobos com tendências neonazistas. “Eles estão mais concentrados na região de Munique. Uma família de angolanos foi atacada por ele na semana passada e até as crianças apanharam. Algumas organizações alertam os turistas onde não devem ir. O governo alega que isso não é necessário, pois todos têm o direito de ir onde quiserem”, descreve a bauruense. Por concentrar pessoas do mundo todo, Weidenbrück acredita que Frankfurt não sofra tanto com as ações violentas desses grupos.
Como a sombra da violência não atingiu a cidade e Frankfurt está aproveitando a Copa? “O pessoal daqui, que só ia do trabalho para a casa, hoje já está parando nos barzinhos”, conta. E para quem não conseguiu comprar ingresso para nenhum dos jogos, dirigentes da cidade deram uma mãozinha e instalaram um telão gigante dentro do rio Meno, que corta Frankfurt. E é lá que a população tem se reunido para acompanhar os jogos.
Há 12 anos, Telma se casou com Thomas, amigo da família onde trabalhava na época. Há seis, o casal teve o primeiro filho, Dário, que no nome reúne o brasileiríssimo “da Silva”, com o alemão Weidenbrück. E na hora dos jogos? “A família inteira torce pelo Brasil. O Dário, já colou um monte de desenhos da Copa no quarto e temos uma bandeira pendurada do lado de fora do apartamento”, conta a bauruense. “Os alemães não estão acreditando muito na seleção deles. Falam que são jogadores muito novos, sem experiência e estão apostando no Brasil. Até pizzaria aqui está com bandeira do Brasil”, descreve.