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Financiamentos mesclam dor de cabeça e solução

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

A dificuldade de comprar um imóvel à vista, aliada à vontade que muitos possuem que serem donos de uma casa, empurram muitas pessoas para os financiamentos habitacionais. Feitos em períodos longos, em geral superiores a 20 anos, eles podem representar a realização do sonho da moradia, mas também podem transformar-se no pesadelo do calote.

A Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru possui aproximadamente 570 ações de reintegração de posse contra mutuários inadimplentes. Os números são referentes aos núcleos habitacionais administrados pela entidade.

Casos de financiamento direto também podem gerar dores de cabeça. Foi o que aconteceu com Gisele de Cássia da Silva, que teve sua casa leiloada pela Caixa Econômica Federal, após atrasar seis meses o pagamento das parcelas (leia texto abaixo). “As condições são duras. Se você atrasa algumas prestações, a dívida fica impossível de ser paga”, lamenta.

A Caixa afirma possuir, atualmente, 31 casas adjudicadas (termo que se refere a imóveis que foram retomados na Justiça devido ao não-pagamento das prestações) prontas para serem negociadas em vendas direta. A entidade não divulga a quantidade de processos de retomadas de imóveis que possui em andamento.

As venda de casas adjudicadas pode ser uma saída interessante para pessoas que desejam adquirir um imóvel mas não querem dispor de uma grande quantia em dinheiro. “A Caixa facilita bastante a compra desses imóveis”, afirma Wânia Pôrto, corretora imobiliária e delegada do Conselho Regional dos Corretores Imobiliários (Creci) em Bauru.

“Em geral as unidades residenciais são vendidas abaixo de seu valor de mercado. Um apartamento de R$ 20 mil pode ser negociado por R$ 15 mil”, garante.

A compra de uma casa adjudicada não é repleta de facilidades apenas. “È um rolo”, considera Marin Fuluzeti dos Santos, corretor de imóveis. Ele refere-se ao fato de a Caixa negociar as residências com os antigos moradores dentro.

“Mexer com isso é fogo. Se você põe advogado para conseguir reintegração de posse, acaba ganhando. O problema é o que acontece depois”, pondera. Ele vive no Residencial Nova Bauru, próximo a uma casa que foi leiloada pela Caixa.

“Quando chegou o dia do pessoal sair de lá, eles estraçalharam com tudo. Picharam, sujaram, roubaram portas, quebraram janelas”, conta ele. “Imagina se esse povo resolve fazer o mesmo comigo?”, questiona ele. Pôrto tem uma visão diferente de Santos. “Trabalho há anos com a Caixa e nunca presenciei nada parecido”, garante.

Além dos financiamentos oferecidos pelo mercado, uma outra opção para quem deseja conquistar a casa própria são os núcleos habitacionais feitos pela Companhia de Desenvolvimento da Habitação Popular do Estado de São Paulo (CDHU).

Com prestações mais baixas, os imóveis oferecidos pela entidade destinam-se à população de menor renda. Segundo informações da companhia, o menor valor de prestação de um imóvel oferecido está um pouco acima dos R$ 50,00. “Depende da renda da pessoa”, explica Carlos Ladeira, diretor da empresa na região de Bauru.

Para inscrever-se nos programas, é preciso comprovação de renda de pelo menos um salário mínimo ao mês. O mais recente projeto inaugurado pela entidade na cidade foi o núcleo Bauru H. De acordo com o diretor, mais de 5.000 pessoas disputaram as 242 vagas oferecidas em sorteio.

Segundo Ladeira, a taxa de inadimplência nos conjuntos é baixa. Nenhuma ação de reintegração de posse ainda foi movida. “Os núcleos são muitos recentes para que possamos verificar isso”, argumenta.

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