São Paulo - Terminou na tarde de ontem, após cerca de 48 horas, a rebelião na Penitenciária de Segurança Máxima de Viana (39 quilômetros de Vitória), em que ao menos dois detentos foram assassinados, um deles decapitado. Foi a terceira rebelião que o sistema prisional capixaba enfrentou desde a quarta-feira passada.
Circulava ontem a informação de que um terceiro preso havia sido assassinado, o que não foi confirmado até o fechamento desta edição. O comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Antônio Carlos Barbosa Coutinho, disse que, a partir das informações de que dispunha, “era quase certo” ter ocorrido a terceira morte.
O motim terminou com a liberação do agente carcerário feito refém e dos familiares que não deixaram o presídio após as visitas de sábado -214 mulheres e cerca de 50 crianças. O Batalhão de Missões Especiais (a tropa de choque do Estado) cercou o presídio, mas só deve entrar no complexo hoje.
Os rebelados exigiam o retorno para o sistema prisional do Estado de cinco presos transferidos para a Polícia Federal, para onde foram mandados com objetivo de evitar que continuem controlando ações criminosas de dentro dos presídios.
A Secretaria da Justiça afirma que não houve acordo. As outras duas rebeliões ocorreram na Casa de Passagem, no município de Vila Velha (14 quilômetros de Vitória), e no presídio de Linhares (137 quilômetros da Capital), as duas encerradas na tarde de anteontem. No motim ocorrido na Casa de Passagem, presos exibiram faixas alusivas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Uma delas trazia a inscrição “PCC no ES. Juntos Venceremos. PJL (Paz Justiça e Liberdade)”. O comandante da PM disse que trabalhos de inteligência não “apontam para a possibilidade de influência do PCC no Estado”, mas não descartou essa hipótese.
Anteontem, 80 integrantes da Força Nacional de Segurança (FNS) desembarcaram em Vitória. Eles são parte do contingente de 200 policiais enviado a Mato Grosso do Sul após rebeliões que destruíram parcialmente presídios no Estado no mês passado.
Segundo o comandante da PM, a principal atribuição da FNS no Espírito Santo será atuar na área de inteligência para identificar possíveis elos entre facções locais com o PCC ou outros grupos do crime organizado pelo País e montar um banco de dados.
A FNS chegou ao Espírito Santo após uma onda de ações violentas que teve início em janeiro. Além de rebeliões nas unidades prisionais, 15 ônibus foram incendiados em ações criminosas na região metropolitana de Vitória.