Gaza - Duas crianças e um adolescente palestinos foram mortos ontem em um ataque aéreo israelense no norte de Gaza. Um menino de 5 anos, sua irmã de 7 e um adolescente de 16 anos foram as vítimas, além de 14 feridos (quatro deles em estado crítico), segundo fontes médicas do Hospital Shifa, de Gaza. Entre os feridos, há seis menores de idade.
O alvo era um carro que levava “terroristas”, segundo Israel, e explodiu em uma rua estreita do campo de refugiados de Jebalia, o maior de Gaza. Centenas de palestinos se reuniram ao redor do veículo para protestar.
O Exército israelense lamentou a morte de civis. Um porta-voz militar confirmou o ataque contra o veículo que, segundo ele, “transportava membros das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa”, milícia armada ligada ao Fatah, grupo do presidente palestino Mahmoud Abbas. Segundo o mesmo comunicado, eles estavam envolvidos no planejamento de ataques contra Israel.
Khalil Roka, primo das crianças mortas, disse que estava sentando em frente à sua oficina mecânica enquanto as crianças brincavam nas proximidades. Ele viu a explosão e as crianças atingidas, mas não viu as crianças mortas, enquanto ajudava a carregar as feridas para a ambulância.
Testemunhas disseram às agências internacionais que os ocupantes do carro conseguiram fugir antes da explosão. Para o noticiário do Canal 2 da TV israelense, o ataque foi “mais uma tentativa fracassada de assassinato (seletivo), e novamente civis inocentes foram atingidos.” Cerca de 100 mil palestinos moram no campo de refugiados de Jebalia. Com este ataque, já chegam a 5.100 os mortos, a maioria palestinos, desde que começou a Intifada, em 2000.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, se encontrarão pela primeira vez desde que o Hamas ganhou as eleições parlamentares, em janeiro. O grupo terrorista tomou posse em março.
Eles estarão em um café da manhã, amanhã, na Jordânia, em uma conferência promovida pelo rei Abdullah II, que reunirá vários ganhadores do prêmio Nobel na cidade histórica de Petra.
O palestino Abbas quer reiniciar as negociações de paz, apesar da ascensão do Hamas ao poder, mas autoridades israelenses afirmaram que esperam pouco do encontro de quinta, que não tem caráter oficial, nem bilateral. Abbas tem tentado convencer o Hamas a aceitar um plano que reconhece Israel, de forma a romper o boicote financeiro internacional. O Hamas, que defende em sua Constituição a destruição de Israel, voltou a afirmar ontem que não reconhecerá o Estado judeu.