Em tempo de copa do Mundo, as polêmicas futebolísticas aumentam e as políticas diminuem de forma diretamente proporcional. Pelé, que nos encantou no gramado por mais de 20 anos e mil gols e dentro das quatro linhas sempre foi e será incomparável, volta a ser comparado com Maradona. Por mais que radical que seja a torcida de nossos vizinhos portenhos não existem parâmetros, a não ser maior número de gols com a mão, que possam dar ao argentino a primazia sobre o rei do futebol. O brasileiro tem mais anos de carreira, mais gols, mais copas do mundo, mais Mundial Interclubes, mais tudo. E a coisa fica ainda melhor para o brasileiro se compararmos o comportamento extra campo, onde o comportamento como atleta exemplar do rei do futebol contrasta com o tumultuado currículo do argentino marcado por escândalos e vícios.
No entanto, nos últimos anos o argentino tem demonstrado um grande e elogiável esforço para cuidar de sua saúde, livrar-se do vício e também cuidar de sua vida profissional e familiar, o que contrasta com o sempre outrora perfeito Pelé, envolvido em negócios no mínimo duvidosos, em escândalos morais como o de ter que reconhecer filhos depois de prova judicial e polêmicas sobre quem é o maior. Fora os comentários e previsões duvidosas, e até hilárias, como a de que a Colômbia seria a grande surpresa para ganhar um mundial. Agora, durante a Copa do Mundo os papéis se inverteram radicalmente.
Enquanto o argentino se personifica no torcedor número um da Argentina e no papel de irmão mais velho e incentivador dos meninos Tevez e Messi, o brasileiro se transforma em crítico. Diante da imprensa internacional tece críticas e comparações com os atuais ídolos, fazendo advocacia em defesa própria, diga-se de passagem desnecessária, dando a impressão de que não consegue conviver com o sucesso alheio. A imprensa brasileira, em geral, não tem quase que atentado para isto e continua, talvez por respeito, sem dar destaque a este assunto e assim dar a oportunidade ao rei para uma análise mais crítica de seus últimos atos, voltando a ser o Pelé ídolo que conhecemos e aprendemos a admirar.
Márcio Carvalho