Cultura

Canção Brasileira

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Mais do que música, Tango, Fado, Valsa, Cavaquinho e Violão são testemunhas do encontro genuinamente brasileiro da Canção com o Samba na remontagem do prestigiado espetáculo “Canção Brasileira”. Dirigida por Paulo Betti, a peça será apresentada hoje, às 21h, e amanhã, às 20h, no Teatro Municipal. Nesta tarde, o diretor também promove um bate-papo gratuito sobre teatro, cinema e televisão às 17h, no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva.

A história de amor que gerou o samba-canção e marcou a história do teatro musical brasileiro volta com uma nova montagem depois de 74 anos. Encenado pela primeira vez em 1932 com Vicente Celestino e Gilda de Abreu no elenco, o espetáculo foi considerado um grande sucesso, contabilizando 500 apresentações.

Um trecho da obra original, escrita por Luis Iglesias e Miguel Santos e com música de Henrique Vogeler, foi encenado em 1985 no espetáculo “Teatro Musical Brasileiro – Parte II” sob a direção do saudoso Luis Antônio Martinez Corrêa, assassinado em 1987.

Em cima da mesa do diretor, foi encontrado o libreto da opereta “Canção Brasileira” que Corrêa pretendia dirigir. O sonho interrompido do diretor foi alimentado por sua irmã, Maria Helena Martinez Corrêa que, por um “milagre”, recuperou as partituras da obra original de 1932 e decidiu montá-la. “Um senhor, que havia assistido ao espetáculo diversas vezes, ganhou as partituras do elenco e as entregou a Maria Helena durante uma homenagem feita a seu irmão no Rio de Janeiro em 1994”, conta Paulo Betti.

De posse do material, Maria Helena adaptou o texto e convidou Betti para a direção, o que foi aceito de imediato. “Eu e minhas filhas assistimos muitas vezes ao espetáculo ‘Teatro Musical Brasileiro’. Todos nós ficamos apaixonados”, diz o diretor, pela primeira vez à frente de um musical. “A maior diferença é que, para realizar o seu trabalho, você precisa esperar o diretor musical e o coreógrafo trabalharem. O processo é dividido”.

Na adaptação, partituras e linguagens foram mantidas para que o público sentisse o sabor da época. Apenas para a execução da opereta foi necessária a redução do número de instrumentos e músicos. “A montagem original contava com corpo de baile e orquestra, o que se torna inviável, porque são poucos os teatros que comportam essa estrutura”, explica Betti.

Para a estréia, em setembro de 2005 no Rio de Janeiro, 14 atores-cantores e três músicos ensaiaram seis horas diárias durante cinco meses. No elenco estão Ana Baird, Édio Nunes, Erom Cordeiro, Flora Borges, Guilherme Miranda, José Mauro Brant, Júlia Fajardo, Márcia do Valle, Rodrigo França, Thaís Gulin, Thiago Thomé, Vladimir Pinheiro e as filhas do diretor, Juliana Betti e Mariana Betti.

“São essas filhas que iam comigo assistir à peça de Luis Antônio Martinez Corrêa. O difícil de ser pai diretor é que, quando se é apenas diretor, você não se preocupa com o que elas vão fazer depois do espetáculo e, como pai, eu me preocupo”, afirma.

“Canção Brasileira” conta com a direção musical de Alexandre Elias; cenografia e figurinos de Ronald Teixeira; iluminação de Aurélio de Simoni e coreografia de Soraya Bastos e Sueli Guerra.

• Serviço

Apresentação do espetáculo “A Canção Brasileira” hoje, às 21h, e amanhã, às 20h, no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9). Ingressos por R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada). Mais informações: (14) 3235-1072.

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Samba-canção

“Canção Brasileira” começa em 1910. Numa mansão, Modinha e Lundu recebem os convidados para apresentar a filha recém-nascida, a Canção. Um bercinho no centro do palco é reverenciado pelos convidados estrangeiros que cantam homenageando a Canção Brasileira.

Cavaquinho, Violão e Flauta aparecem na festa como bicões. Estão chateados por não terem sido convidados e temem a influência dos ritmos estrangeiros sobre a recém-nascida. Num descuido dos convidados, os três seqüestram a Canção e a levam para o morro, onde pretendem criá-la ao lado do Samba que acabou de nascer.

“É um espetáculo alegre, que exalta a brasilidade, fazendo uma apologia ao samba”, sintetiza Betti, que faz questão de acompanhar toda a turnê. “Eu tenho um carinho muito especial por essa peça”, justifica-se.

A vinda a Bauru também é encarada com muito carinho pelo diretor. Em 1971, durante um festival de teatro amador, o então anônimo ator ficou encantado por ver uma mulher à frente da Federação Bauruense do Teatro Amador: Celina Lourdes Alves Neves, cujo nome hoje batiza o Teatro Municipal. “Desde então tenho muita curiosidade de conhecer Bauru, que também é a terra do dramaturgo Mauro Rasi”, diz, empolgado.

Betti ainda pretende voltar à cidade em outubro para lançar seu filme “Cafundó”. Além desse longa, o diretor está trabalhando nas filmagens de “A Casa da Mãe Joana” e “A Grande Família”.

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