Tribuna do Leitor

O chorume das almas


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Presidente não fala, prefeito não fala, empresas não falam. Quem falou diz que não falou. Baurucubaca! Nem digo que o Brasil está coberto de lama porque seria ofender a lama. Impressionante como tem pato novo espadanando audaciosamente o rabinho nas águas turvas do lago. Dizem que pato novo não dá mergulho grande, profundo, mas o que ocorre nos sucessivos governos é exatamente o contrário. Na Sicília, por exemplo, quem faz acordo deve manter a palavra. Se uma empresa ajuda a todos os candidatos a prefeito (ou a vereador, governador), certamente um será eleito, e ficará irremediavelmente de rabo preso na negociata. E tem de cumprir o prometido. O imperativo é manter a palavra empenhada. Ainda mais que a ajuda financeira auxilia no enriquecimento ilícito. Tudo fica bem claro no escuro: condicionamos, porém, com a prestação de serviços vários. Tivesse eu feito o acordo, cumpri-lo-ia. Mergulharia com tudo no lodo miasmático. Ou melhor: no chorume que cobre o País. (Significado de chorume: resíduo da decomposição do lixo. Aquela coisa escura, venenosa e nauseabunda que lhes escorre das almas). Estaria disposto a decompor minha alma. Antes a pressão popular do que a outra, do poder paralelo, gente que não brinca em serviço, portanto, indisposta a perder os investimentos feitos. Brasil terceirizado. Que pressa para tantas terceirizações?! Quem promoveu as fraudes, que preparem as fraudas. P.S.1: Seleção. Kaká e Kokô. Sabemos quem é o Kaká. O Kokô só saberemos depois da Culpa do Mundo. P.S.2: Bussunda. Recebi a notícia com a revista Casseta nas mãos. 13h15. Em uma barraquinha de rua, olhava livros e revistas usados. Por acaso havia lá uma do Casseta e Planeta, de 1994. Comprei. Enquanto olhava... “Sabia que o Bussunda morreu de infarto hoje?” Assim, à queima-roupa, fosse outro (filho, irmão ou pai), teria tido um infarto também. Fala sério, aí.

Júlio Diogo

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