1. Onde estamos e para onde precisamos caminhar?
Na sociedade industrial, o centro do sistema era ocupado pela fabricação, em grande escala, de bens materiais. Os países ricos tinham o poder dos meios de produção e os pobres eram “obrigados” a vender matérias-primas aos seus “colonizadores”. Na atual sociedade o poder está com quem tem capacidade de criar, está na produção de bens imateriais, principalmente, informações e serviços. Vão para o centro países que valorizam a criatividade e os meios de ideação. Nestes países o novo paradigma tecnológico promove avanço no complexo eletrônico e crescente automação nas plantas produtivas que exigem mão-de-obra qualificada e multifacetada.
Aquela produção de bens materiais não “inteligentes”, que poluem e geram conflitos de classes, os países criadores de idéias, pouco a pouco a deslocam para o “segundo mundo”, farto de mão-de-obra desqualificada e barata. Há, ainda, um “terceiro mundo”, constituído por países que estão capacitados a oferecer subordinação política em troca de ajuda e matéria-prima sem tecnologia agregada, portanto, a baixo preço.
2. A visão holística da educação
Com o acelerado avanço tecnológico, o conhecimento recebido na escola rapidamente envelhece, torna-se obsoleto. A melhor coisa a fazer, além dos conceitos imutáveis, é ensinar valores, paradigmas, métodos para aprender constantemente e gerenciar as mudanças que emergem da dinâmica social. Jovens com este tipo de formação crítica serão cidadãos plenos, pessoas com compromisso para, na condição de agentes multiplicadores, ajudarem a transformar, em todos os aspectos, a realidade deste País. Educar vai além de formar um profissional qualificado. A escola precisa liberar, também, um ser humano qualificado. Na escola houve um esvaziamento da subjetividade, a educação é profissionalizante, mas não humanizadora.
3. Então, onde estudar?
Como escreveu o eminente professor Genuíno Bordignon, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília: para desenvolver no educando essa dimensão do aprender é preciso passar da escola burocrática para a escola cidadã.
Na escola burocrática não há projeto, nem objetivos, mas rotinas. Portanto, não há desafios nem vitórias. O conhecimento é transmitido pelo discurso segmentado. Na escola cidadã o processo é dinâmico, construído pelo conhecimento e pela afetividade, constituindo-se em espaço aberto de criação e vivência. Nesse espaço o gestor é o coordenador, com conhecimento técnico e percepção política. Não o dono do fazer e, sim, o animador de processos, o mediador de vontades e de seus conflitos. A escola cidadã requer do professor o cultivo da virtude da humildade, do saber não ser dono da verdade, porque a verdade é como os raios do sol que iluminam a todos sem pertencer a ninguém em particular.
Só nesta escola constrói-se um cidadão capaz de, também, colocar-se como participante ativo e a frente da sociedade em que vive. Uma sociedade que clama por justiça e por ética. Ética na política e na família. Uma sociedade que clama por educação acessível a todos, por terra, por moradia. Uma sociedade que precisa ser mais sensível e com capacidade de indignar-se.
Pode-se concluir então que a escola precisa transformar conhecimento em ação e estar a serviço da superação das situações que impedem a dignidade de vida. A escola precisa ser vista hoje como lugar da produção de uma riqueza cada vez mais escassa, a riqueza moral, dos valores, da convivência e do diálogo, da pluralidade ideológica e cultural, da crítica comprometida com a ética que busca ser verdadeira e justa.
Enfim, lembrando Jacques Delors, é preciso estudar onde se possa aprender a aprender, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.
O autor, Paulo Cezar Razuk, é professor titular do Departamento de Engenharia Mecânica da Unesp-Bauru