O presidente Lula, na convenção petista que oficializou o seu nome como candidato a reeleição, anunciou em alto e bom som que, se reeleito, fará da educação sua maior prioridade. Foi mais longe: disse que fará uma revolução nessa área. Lamenta-se a demora na descoberta do caminho para o mundo desenvolvido, mas, ao mesmo tempo, renovam-se as esperanças de que nem tudo está perdido.
A bandeira da educação, como a da saúde, ao longo de anos tem sido desfraldada toda eleição e poucos resultados se têm conseguido. Por que acreditar que agora será diferente? Hoje, mais do que em outros tempos, qualquer mortal enxerga que sem educação o Brasil não conseguirá ir muito longe social, econômica e politicamente. Tanto é assim que a linha de frente da pressão para mais investimentos na educação é a mais democrática já constituída. Na “pole position”, deixando forças tradicionais dessa luta para trás, aparecem empresários de peso como Antonio Ermírio de Moraes, Jorge Gerdau Johannpeter, Marcos Magalhães e outros tantos. Aliás, Marcos Magalhães, presidente da Philips no Brasil, pernambucano que estudou em escola pública no Recife, indignado com a situação do ensino, resolveu participar de uma experiência educacional ousada. Num grupo de 13 escolas estaduais do ensino médio, de Pernambuco, resolveu pagar parte do salário de seus professores com base no desempenho dos alunos. Metas a serem atingidas foram estabelecidas e o governo deu autorização para que a parte do salário pago com base na produtividade pudesse ser bancada por um grupo de empresários. O sucesso foi tanto que acabou envolvendo Magalhães a ponto de o mesmo rejeitar uma promoção para a Holanda, na matriz da empresa. É bom que os empresários participem dessas lutas cobrando da área pública mais seriedade no trato com a educação. De Roberto Simonsen, falecido em 1949, sempre preocupado com o social, criador do Sesi e do Senai, a esta parte, só recentemente o empresariado moderno abraçou a educação como fator fundamental para o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade dos produtos exportáveis e o bem-estar da coletividade.
Seis anos. Esse é o tempo médio de escolaridade do brasileiro, contra nove do mexicano e dezesseis dos japoneses, coreanos e chineses. Se o Brasil quiser ter futuro, escola de boa qualidade na moçada. A legislação que obriga os governos (municipal, estadual e federal) a aplicarem um percentual dos seus orçamentos na educação produziu um certo avanço. Agora temos o Fundef e o Fundeb, fundos para o ensino fundamental e básico. O problema não é tanto falta de recursos, mas de melhor aplicação deles. Embora tenhamos as responsabilidades do ensino legalmente divididas entre os três níveis de governo, não há um projeto nacional com metas claras, definidas e institucionalizadas. A educação no Brasil precisa tornar-se um objetivo a ser alcançado por todos, como foi à redemocratização.Quem sabe este momento não seja a hora e a vez dessa luta.
O autor, Tidei de Lima, deputado federal - 1978/92, secretário de Estado da Agricultura - 1987/88 - e prefeito de Bauru - 1993/96